
Nova Sintra, 28 Abr (Inforpress) – A psicóloga Auta Rocha defendeu hoje, na ilha Brava, a criação de um centro e de uma organização vocacionados para o acolhimento e defesa de mulheres vítimas de Violência Baseada no Género (VBG) e abuso sexual.
Em declarações à Inforpress, Auta Rocha, que reside nos Estados Unidos da América e se encontra de visita à sua terra natal, acompanhada de outros membros da associação cabo-verdiana em Boston, informou que o grupo realizou igualmente encontros com organizações de defesa dos direitos das mulheres na ilha de Santiago.
Segundo explicou, durante a estada manteve contactos com várias pessoas, com quem abordou questões relacionadas com violência doméstica e abuso sexual.
“Fiquei triste porque estava a falar com uma jovem que foi abusada anos atrás pelo padrasto e, consequentemente, teve um filho com o mesmo. Ela disse-me que permaneceu nessa situação porque, na altura, não tinha apoio de ninguém nem outro lugar para a acolher”, relatou.
Face a estas situações, avançou que a associação pretende organizar, no próximo ano, uma gala de angariação de fundos com o objectivo de mobilizar recursos e encontrar soluções de apoio às mulheres vítimas de violência.
“Nós, as mulheres, não podemos esperar por mais ninguém. Nós, bravenses, é que temos de lutar pela nossa ilha. Não devemos esperar pelos outros, temos de agir e fazer acontecer, porque a ilha precisa de mulheres lutadoras”, reforçou.
Por outro lado, lançou um apelo aos profissionais de saúde no sentido de reforçarem a ética profissional, evitando a divulgação de casos envolvendo crianças vítimas de abusos ou outras situações sensíveis.
Aos pais e encarregados de educação, pediu maior vigilância em relação aos filhos, bem como orientação adequada sobre limites do corpo, nomeadamente no que diz respeito a onde podem ou não ser tocados.
DM/AA
Inforpress/ Fim
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