Boa Vista/Década do Oceano: Campanha de limpeza recolhe mais de uma tonelada de lixo nas reservas naturais

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Boa Vista/Década do Oceano: Campanha de limpeza recolhe mais de uma tonelada de lixo nas reservas naturais
19/07/26 - 05:10 pm

Sal Rei, 19 Jul (Inforpress)- Uma campanha de limpeza realizada hoje na Reserva Natural de Boa Esperança, na ilha da Boa Vista, resultou na recolha de 1.130 quilogramas de lixo, numa iniciativa integrada na Semana da Década do Oceano.

A atividade, que decorreu no período da manhã, foi organizada de forma conjunta pelo Programa de Regionalização do Corpo de Voluntários (PRCV), Câmara Municipal da Boa Vista, Associação Cabo Verde Natura 2000 e Fundação Tartaruga, e contou com a participação de voluntários nacionais e internacionais.

Em declarações à imprensa, a coordenadora de comunidade da Fundação Tartaruga, Viviane Chantre, explicou que a acção visa dar visibilidade global ao problema da poluição marinha, servindo de base para os debates que decorrem na ilha.

“Este lixo não é apenas produzido em Cabo Verde, trata-se de resíduos trazidos pelas correntes marítimas, com etiquetas da Malásia, China e Japão. Então esta campanha serve precisamente para trazer o diálogo mundial sobre a proteção dos oceanos e refletir sobre quem está a produzir este impacto”, afirmou a coordenadora.

Relativamente ao tipo de resíduos recolhidos na Reserva Natural de Boa Esperança, Viviane Chantre indicou que há uma predominância de plásticos e de redes de pesca abandonadas, além de vidros, madeiras e metais em menores quantidades. 

O plástico e as redes de pesca constituem uma ameaça direta à biodiversidade local, pois impossibilitam que as tartarugas marinhas se desenvolverem com segurança nas praias de desova.

A responsável lamentou, no entanto, que a maior parte do material recolhido tenha como destino final a lixeira municipal, por não haver um centro de tratamento de resíduos na ilha, e pelo avançado estado de degradação dos materiais expostos ao sol e ao mar.

“A desvantagem das campanhas de lixo nas zonas costeiras é que grande parte desses lixos já vem bem degradado. Então, apenas 15% do total é que pode ser reciclado. Então, grande parte deles vai para aterros. Mas cumprimos a nossa missão principal, que é retirá-lo do ecossistema de praia”, observou.

A coordenadora indicou que essas intervenções são regulares e que desde o ano de 2023 a fundação já contabilizou mais de 40 toneladas de resíduos retirados das zonas norte e costeiras da Boa Vista.

Viviane Chantre aproveitou a oportunidade para apelar a um maior envolvimento da sociedade civil organizada e dos moradores locais na proteção ambiental.

“A comunidade em geral tem de estar mais engajada nas campanhas de limpeza, já que se trata de uma atividade conjunta. Abraçamos esta causa para sensibilizar a população sobre a problemática do lixo no mar e para preservar as praias da Boa Vista, que são bonitas demais para estarem poluídas”, considerou.

A par desta ação, uma outra campanha de limpeza decorreu em paralelo no Parque Natural do Norte, mobilizando também as equipas e os voluntários envolvidos na agenda da Década do Oceano.

MGL/AA

Inforpress/Fim

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