
Sal Rei, 31 Mar (Inforpress) – O presidente da Adeco afirmou hoje que a estabilização de preços anunciada pelo Governo deve ser vista de forma “relativa”, advertindo que o custo de vida continuará a aumentar apesar das medidas.
Em reacção às medidas de mitigação anunciadas pelo Governo perante a “subida histórica do petróleo Brent”, o presidente da Adeco, Nelson Faria explicou que a “estabilização propalada” não significa que os preços vão parar de subir, mas sim que o ritmo do aumento será controlado.
“Pode haver estabilização, de certa forma, no aumento dos preços de combustíveis, mas não uma estabilização do preço, porque o preço continuará a aumentar”, afirmou o responsável.
O presidente da Adeco destacou que a perda de poder de compra dos cabo-verdianos tem sido acentuada, com uma quebra de cerca de 20 por cento (%) nos últimos dez anos e de mais de 15% apenas nos últimos cinco anos.
Para o dirigente, a inflação, mesmo crescendo a um ritmo mais lento, continua a penalizar as famílias devido à falta de actualização de rendimentos.
Nelson Faria alertou que não haverá uma estabilização do impacto sobre os bens e serviços, uma vez que estes continuarão a aumentar por via de outros factores de custo, para além dos combustíveis.
“Esses bens e serviços continuarão a aumentar de preço, não necessariamente na mesma proporção dos combustíveis”, explicou, destacando que as empresas acabarão por reflectir outros custos operacionais nos preços finais ao consumidor.
Neste sentido, a associação defende que a intervenção não pode limitar-se à energia, e a Adeco propõe ao Governo medidas adicionais, como a isenção do IVA para um cabaz de bens alimentares de primeira necessidade e para o gás “familiar” de 03kg, além do alargamento da tarifa social de água e electricidade para a classe média-baixa.
A associação prometeu manter-se vigilante, como tem sido até agora com o monitoramento dos preços através do Índice de Consumo Essencial (ICE) nas ilhas de São Vicente, Sal e, agora, também na Praia, estando já a trabalhar para o lançamento dessa ferramenta também na Boa Vista, e denunciar situações de especulação junto das autoridades competentes, como a IGAE e as agências reguladoras.
Nelson Faria apelou ainda a uma comunicação “tempestiva e assertiva” com os consumidores, sem criar falsas expectativas “para que todos tenhamos uma noção geral dos impactos” porque a estabilização vista nesta perspectiva “não existe… vamos ter com efectividade um contexto novo de incertezas e volatilidades”.
Assim como pediu "sensatez" na gestão do défice assumido pelo Estado, lembrando que os recursos provêm dos contribuintes e, num contexto de pré-campanha eleitoral, reiterou ser importante priorizar o apoio às famílias mais vulneráveis e acelerar investimentos nas energias renováveis para reduzir a dependência de choques externos no futuro.
Como estratégia imediata de apoio aos cidadãos, a Adeco propõe "uma comunicação guia" e campanhas de sensibilização nacional para ajudar os consumidores a gerir o orçamento familiar num período de "extrema incerteza e volatilidade".
MGL/HF
Inforpress/Fim
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