Bastonário da Ordem Auditores e Contabilistas vê IA como ferramenta de apoio à contabilidade e auditoria

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Bastonário da Ordem Auditores e Contabilistas vê IA como ferramenta de apoio à contabilidade e auditoria
17/10/26 - 01:39 pm

Cidade da Praia, 17 Out (Inforpress) - O bastonário da OPACC defendeu hoje, na Praia, a utilização da Inteligência Artificial (IA) como ferramenta de apoio à contabilidade e auditoria já que a tecnologia não deve substituir o julgamento humano, a ética e a responsabilidade profissional.

Em declarações à Inforpress, à margem da V Conferência Anual da Ordem Profissional de Auditores e Contabilistas Certificados (OPACC), realizada sob o lema “Transformação digital, Inteligência Artificial e confiança: o novo paradigma da contabilidade e da auditoria”, Francisco Teixeira considerou que a IA está a transformar o perfil dos profissionais do sector, ao permitir automatizar tarefas repectitivas e dedicar mais tempo ao aconselhamento e à consultoria empresarial.

“Temos que ter a tecnologia ao nosso serviço e não o contrário”, afirmou Francisco Teixeira, daí ser necessária a preparação dos contabilistas e auditores para dominarem as novas ferramentas e reforçarem a sua intervenção estratégica.

O bastonário reconheceu, contudo, que o mercado cabo-verdiano, constituído maioritariamente por micro, pequenas e médias empresas, ainda não está plenamente preparado para esta transição.

Apesar disso, manifestou confiança na capacidade de adaptação do país e considerou que a mudança exige sobretudo uma nova mentalidade e formas de trabalhar ajustadas às exigências tecnológicas.

No domínio da ética e da confiança, alertou para os riscos da utilização acrítica da inteligência artificial, salientando que uma resposta ou um relatório tecnicamente “bem-apresentado” não garante, por si só, a exatidão das informações nem o cumprimento das normas profissionais.

Segundo o responsável, os profissionais devem possuir conhecimentos técnicos que lhes permitam avaliar a qualidade e a fiabilidade dos resultados produzidos pelos sistemas de IA, mantendo a responsabilidade pelos trabalhos realizados, mesmo quando recorrem a estas ferramentas.

Relativamente à regulação, à transparência dos algoritmos e à preparação da classe, reconheceu que a profissão ainda se encontra num processo de aprendizagem, defendendo a partilha de experiências internacionais, sem descurar a capacidade nacional para encontrar soluções adequadas à realidade cabo-verdiana.

Garantiu que a OPACC continuará a promover acções de formação e sensibilização dos seus membros para as transformações digitais, estando prevista para o próximo ano a realização de um congresso de dimensão superior à da conferência anual.

Francisco Teixeira considerou ainda que programas de formação mais prolongados poderão assegurar uma preparação mais consistente dos profissionais, permitindo-lhes adquirir conhecimentos fundamentais para uma utilização responsável da inteligência artificial.

DG/AA

Inforpress/Fim

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