
Cidade da Praia, 19 Jun (Inforpress) – O Plano Nacional de Educação Financeira (PNEF) contribuiu para aumentar a bancarização, reduzir reclamações e reforçar a literacia financeira dos consumidores cabo-verdianos, declarou hoje o coordenador do Gabinete de Supervisão Comportamental do Banco de Cabo Verde (BCV).
José Júlio Dias fez estas afirmaçoes à margem da cerimónia de reconhecimento dos Embaixadores de Educação Financeira, realizada no âmbito das comemorações dos dez anos de promoção da educação financeira em Cabo Verde.
Segundo o responsável, os resultados observados ao longo dos últimos anos demonstram que a educação financeira tem ajudado os cidadãos a tomar decisões mais informadas sobre produtos e serviços financeiros, ao mesmo tempo que fortalece a protecção dos consumidores.
“O nível das reclamações dos consumidores financeiros já começa a baixar. Queremos dizer que é um bocadinho também pela implementação do próprio plano e das sessões de educação financeira e sensibilização que levamos às comunidades”, afirmou.
José Júlio Dias explicou que o plano foi implementado em quase todo o território nacional, abrangendo 18 dos 22 concelhos do país e alcançando mais de sete mil beneficiários indirectos, através de acções de sensibilização promovidas pelo Banco de Cabo Verde e pelos parceiros envolvidos.
“O plano foi materializado a nível nacional. Conseguimos ir de Santo Antão à Brava e, em alguns concelhos, realizámos mais do que duas sessões. Aos poucos estamos a chegar o mais longe possível dentro das nossas capacidades”, destacou.
O coordenador salientou igualmente os progressos registados ao nível da inclusão financeira, lembrando que, quando foi realizado o primeiro inquérito nacional sobre literacia financeira, em 2016, cerca de 53 por cento (%) da população cabo-verdiana não tinha acesso a serviços bancários.
“Hoje temos cerca de 80% da população cabo-verdiana bancarizada. Temos um cenário totalmente diferente e um crescimento significativo das transacções realizadas por meios digitais”, indicou.
Segundo este responsável, a educação financeira tem permitido desenvolver consumidores mais conscientes dos seus direitos e mais atentos às diferentes opções disponíveis no mercado financeiro.
“Hoje conseguimos ter um consumidor que compara os parceiros. Se antes ficava apenas com os produtos da sua instituição financeira, agora tem maior capacidade para analisar alternativas e escolher a que melhor responde às suas necessidades”, explicou.
José Júlio Dias defendeu ainda que a educação financeira deve ser entendida numa perspectiva mais ampla de literacia financeira, abrangendo não apenas conhecimentos sobre dinheiro, mas também atitudes e comportamentos relacionados com a gestão das finanças pessoais.
“O consumidor é o centro das operações. O banco presta um serviço ao cidadão e, por isso, esse consumidor tem de estar instruído para tomar decisões conscientes”, sublinhou.
Apesar dos avanços alcançados, reconheceu que continuam a existir desafios, sobretudo perante a crescente digitalização dos serviços financeiros e a expansão dos meios de pagamento electrónicos.
Neste sentido, anunciou que o BCV já iniciou os preparativos para um novo Plano Nacional de Educação Financeira, que dará continuidade ao trabalho desenvolvido e introduzirá novas iniciativas, incluindo uma Semana da Educação Financeira e programas de formação dirigidos a professores e líderes comunitários.
“O projecto deve ter continuidade. Os resultados mostram que a mensagem está a passar e que ainda há espaço para reforçar a literacia financeira junto da população”, finalizou.
CM/AA
Inforpress/Fim
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