
Cidade da Praia, 25 Fev (Inforpress) – A Associação Pelourinho considerou hoje louvável a iniciativa do Governo de lançar um concurso público de ideias para a valorização e requalificação do Ilhéu de Santa Maria, na cidade da Praia, mas afirmou que a medida surge tardiamente.
Em declarações à Inforpress, após a publicação no Boletim Oficial, esta terça-feira, 24, do anúncio da iniciativa, o representante da associação, Adérito Tavares, afirmou que o destino do ilhéu foi inicialmente decidido por um consultor, sem a devida auscultação pública, acrescentando que agora se pretende conhecer a opinião da população sobre o projecto.
“Este ilhéu fica na capital do país, então é de todos. Tem de ser consultada a população de Cabo Verde”, defendeu.
Segundo Adérito Tavares, após o desfecho do anterior negócio, o espaço regressou à posse do Governo, o que, na perspectiva da associação, deveria ter motivado desde logo um processo participativo envolvendo a população do município da Praia e do país.
Apesar das críticas, a Associação Pelourinho reconhece mérito na decisão agora anunciada pelo Executivo.
“A iniciativa é louvável”, reiterou, sublinhando, no entanto, que a zona envolvente já apresenta sinais de degradação ambiental.
A associação defende que a requalificação deve abranger não apenas o ilhéu, mas toda a orla marítima da área da Gamboa, recordando que a antiga Praia da Gamboa foi aterrada para dar lugar a um empreendimento que reduziu a extensão balnear disponível, pressionando zonas como a Prainha e Quebra Canela.
“O mínimo que podia ser feito depois dessa agressão à Praia da Gamboa era requalificar toda aquela orla marítima à volta, inclusive o ilhéu”, sustentou.
Em vez da construção de um casino, como anteriormente previsto, a Associação Pelourinho propõe que o espaço seja destinado a fins públicos, à investigação científica ligada ao mar e ao lazer.
Entre as sugestões apontadas está a criação de um centro de pesquisa dos recursos marinhos e de equipamentos que preservem o acesso da população ao local, tradicionalmente frequentado por famílias, sobretudo aos fins-de-semana e em períodos de férias.
A associação defende ainda que o ilhéu constitui património histórico nacional, com relevância desde o período colonial até à actualidade, e alerta para os riscos de privatização sem consulta popular.
“Não se deve mexer com património histórico nacional sem referendo ou auscultação pública”, afirmou.
Para a Associação Pelourinho, qualquer intervenção futura deve respeitar a memória colectiva e privilegiar soluções que tragam benefícios sustentáveis para a cidade da Praia e para Cabo Verde.
O projecto de investimento teve origem num memorando de entendimento assinado em Fevereiro de 2014 entre o Estado de Cabo Verde e o empresário chinês David Chow, com o objectivo de desenvolver um projecto turístico-imobiliário na baía da cidade da Praia, abrangendo o Ilhéu de Santa Maria e a Praia da Gamboa.
DG/JMV
Inforpress/Fim
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