
Cidade da Praia, 05 Mai (Inforpress) – O Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP) promove uma formação em epidemiologia de campo com o objectivo de colmatar a escassez de profissionais capacitados nesta área e reforçar a resposta do país a eventos de saúde pública.
A iniciativa, segundo a médica epidemiologista Janilza Silva do INSP, integra o Programa de Treinamento em Epidemiologia de Campo, uma abordagem internacional focada na capacitação prática de profissionais ligados à vigilância em saúde.
Segundo a responsável, a formação segue o modelo “uma só saúde”, envolvendo áreas humana, animal e ambiental, e reúne participantes de sectores como serviços de saúde, Ministério da Agricultura e Ambiente, Forças Armadas e Polícia Nacional.
“Essa formação surge no sentido de colmatar a falta de epidemiologistas de campo no país. O objectivo inicial é capacitar pessoas para reconhecer situações de risco, compilar, analisar dados e encaminhá-los para a liderança competente, permitindo decisões baseadas em evidência”, afirmou.
A formação, na sua vertente “linha da frente”, considerada o nível básico, decorre ao longo de três meses, conta com a participação de formandos de diferentes ilhas, cuja selecção foi feita através do concurso público e está estruturada em três momentos presenciais intercalados com períodos de aplicação prática nos locais de trabalho dos participantes.
De acordo com Janilza Silva, o curso privilegia a componente prática, representando cerca de 75 (%) da carga formativa, com os formandos a desenvolverem produtos como relatórios de vigilância epidemiológica, investigações de casos e de surtos.
“Quando falamos de vigilância, falamos de ter informação para a acção. É essencial termos dados que permitam orientar decisões e respostas em saúde pública”, sublinhou.
A epidemiologista destacou ainda que já existem mais de 100 profissionais com formação básica no país, mas defendeu a necessidade de reforçar a capacidade ao nível local, sobretudo nos municípios e centros de saúde.
“Temos participantes de diferentes níveis, desde centros de saúde do interior, como Ribeira da Cruz, em Santo Antão, até estruturas centrais. A ideia é garantir que, onde quer que estejam, consigam aplicar os princípios da epidemiologia”, acrescentou.
Informou, por outro lado, que a iniciativa se enquadra também nos compromissos internacionais assumidos por Cabo Verde no âmbito do Regulamento Sanitário Internacional, que prevê o reforço das capacidades nacionais para prevenir, detectar e responder a emergências de saúde pública.
“O INSP vai já na oitava edição desta formação e considera que a elevada procura demonstra a confiança dos profissionais na qualidade e relevância do programa para o fortalecimento do sistema nacional de saúde”, concluiu.
CM/CP
Inforpress/Fim
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