
Sal Rei, 03 Abr (Inforpress) – A primeira-dama de Cabo Verde escolheu Boa Vista para o arranque da campanha nacional de saúde menstrual, marcada pela doação de 200 mil pensos e apelo ao fim do tabu que afasta as jovens das escolas cabo-verdianas.
Em declarações à Inforpress na noite desta quinta-feira 02 de Abril, numa "Conversa Aberta" realizada no Bairro da Boa Esperança, Débora Carvalho explicou que o início desta missão nacional na Boa Vista foca-se no "tratamento da vergonha".
A primeira-dama frisou que a menstruação é um processo biológico natural e que o objectivo central é "tirar o tabu" sobre o assunto, mas também referiu-se às implicações da pobreza que dificultam o poder da aquisição de bens de primeira necessidade para alimentação assim como tudo o que tem a ver com a saúde menstrual.
“Temos meninas, temos mulheres, temos famílias que não têm condições económicas de no dia da menstruação, e nos dias que a menstruação dura, de ter acesso a pensos. E nas meninas ganha outro carácter, além da questão de saúde e acesso à compra, também pode haver situação de meninas faltarem às aulas por causa do desconforto”, afirmou.
Relacionando ainda a falta de informação sobre o ciclo menstrual com o registo de gravidezes na adolescência, temas e elementos que levou para a conversa, a mesma fonte entende que a nível do país precisa ser eliminado o tabu e passar a ser visto como algo natural e normal.
Ao marcar o início desta jornada na Boa Vista, Debora Carvalho destacou que a ilha serve de "pontapé de saída" para mobilizar parceiros e massificar o debate em todo o arquipélago, de uma iniciativa que é para continuar reiterando que a meta é garantir a dignidade de todas as cabo-verdianas.
A delegada da Educação, Rizandra Gabriel, cuja instituição foi uma das contempladas pela doação, referiu que a iniciativa "não só traz dignidade, como supre uma necessidade básica" das estudantes.
Ela mencionou estatísticas da Unesco e do Banco Mundial, que indicam que uma em cada dez meninas na África Subsariana falta à escola durante o ciclo menstrual, resultando por vezes na perda de 20% do ano lectivo, contribuindo para o abandono escolar.
Pelo sector da Saúde, a delegada interina, Risete Gomes, que além de receber parte dos donativos dos pensos, também participou da conversa esclarecendo dúvidas, reforçou a necessidade de uma abordagem inclusiva.
“Temos que retirar essa questão de que a saúde da mulher é só da mulher, porque homens e mulheres convivem lado a lado”, disse, defendendo a naturalização do tema.
Do lado da autarquia, o presidente Cláudio Mendonça, corroborou esta visão, acentuando que a desinformação e a falta de diálogo sobre a menstruação, inclusive com os meninos, têm implicações directas na gravidez na adolescência.
A doação das 200 mil unidades de pensos higiénicos, é fruto de uma parceria entre a Fundação Dretu e a Fundação Merck, através do programa “Educando Linda”.
A primeira-dama, que continua hoje com visitas a projectos sociais, revelou que a perspectiva é evoluir para soluções mais sustentáveis, como o copo menstrual, de forma a reduzir o impacto ambiental.
MGL/ZS
Inforpress/Fim
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