Kriol Jazz Festival: Djô da Silva afirma que 15 anos depois esperava ser mais independente a nível financeiro

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Kriol Jazz Festival: Djô da Silva afirma que 15 anos depois esperava ser mais independente a nível financeiro
01/04/26 - 01:34 pm

Cidade da Praia, 01 Abr (Inforpress) – O produtor e director artístico, Djô da Silva, destacou que o Kriol Jazz Festival, (KJF) é hoje uma marca conhecida internacional, mas lamentou o facto de ainda não conseguir ser independente a nível financeiro.

O responsável falava à Inforpress, sobre a 15.ª edição do Kriol Jazz Festival que irá decorrer de 09 a 11 deste mês, na Praça Luís de Camões, em homenagem ao músico Zeca de Nha Reinalda pelos seus 50 anos de carreira.

Segundo disse o produtor, 15 anos depois da primeira edição, o festival cresceu, ganhou outra dimensão, tem um nome e uma marca que é reconhecida a nível internacional.

“Hoje temos mais facilidade em conseguir artistas porque há uma certa confiança, mas na minha ideia esperava conseguir ser mais independente a nível de financiamento das instituições”, precisou o responsável que lamentou o facto de em Cabo Verde ser ainda quase impossível conseguir essa independência.

Explicou que neste momento não podem aumentar o preço dos bilhetes porque a economia do país não permite já que o preço deste tipo de festival a nível mundial é de 8.000 mil escudos por dia, enquanto que em Cabo Verde é de 2.500 escudos.

Por outro lado, disse ainda que o festival teve um corte de 75 por cento (%) de financiamento da Câmara Municipal da Praia, cidade anfitriã que, no seu entender, devia estar mais envolvida na iniciativa.

No seu entender, este tipo de festival valoriza e movimenta a cidade e, logicamente, seria a autarquia a abarcar com o festival.

A título de exemplo, avançou que a edição portuguesa do Kriol Jazz Festival, que decorreu na Cidade da Águeda, de 27 a 29 de Março, foi custeada a 100% pela autarquia que ficou também encarregada de procurar patrocinadores.

Para Djô da Silva, este é o melhor sistema para se trabalhar e dar sustentabilidade ao festival por vários anos, ficando a organização com a responsabilidade de realizar o evento.

“Nós não somos profissionais e não temos força para exigir e negociar, enquanto que uma câmara municipal tem mais força para negociar e conseguir muito mais”, sublinhou.

“Então nós somos um festival que tem o risco de desaparecer de um dia para o outro porque, justamente, depende de políticas locais, com a mudança de chefias, diminuição de financiamento ou a retirada a 100%, automaticamente o festival não acontece”, referiu.

Para o director artístico, a questão da sustentabilidade do festival é uma questão que deveria estar ultrapassada, mas infelizmente a organização é confrontada ainda com esta situação e tem estado a adaptar-se ao sistema de um país pequeno e pobre, o que torna ainda mais difícil.

Destacou que o festival tem hoje um público de diversos países, nomeadamente da costa de África, Europa e países do Leste, o que demonstra que ganhou força internacional.

Apesar de existirem ainda alguns constrangimentos, assegurou que está tudo a postos para a 15.ª edição do festival que arranca no dia 09 de Abril, com o projecto “Entre Ilhas”, liderado pelo músico cabo-verdiano Adé Costa, residente nas Canárias, que reúne artistas de diferentes ilhas da Macaronésia.

Para o dia 10, está prevista a actuação da cantora cabo-verdiana Ceuzany, o pianista cubano Alfredo Rodríguez, a brasileira Margareth Menezes e o grupo congolês Les Quatre Étoiles.

O último dia, 11 de Abril, conta com actuações da cantora cabo-verdiana e guineense Fattú Djakité, a banda dos Estados Unidos Brooklyn Funk Essentials, do senegalês Ismaël Lô e do marroquino Saad Tiouly, que encerra o festival.

A edição deste ano está orçada em 23 mil contos e irá homenagear Zeca de Nha Reinalda.

AV/HF

Inforpress/Fim

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