
Cidade da Praia, 27 Mar (Inforpress) – O trabalho não remunerado continua a condicionar a participação das mulheres cabo-verdianas no mercado de trabalho, afirmou hoje a presidente do Instituto Cabo-verdiano para a Igualdade e Equidade de Género (ICIEG), Mariza Carvalho.
Falando à Inforpress, no âmbito do debate “Mulher Cabo-verdiana no Mercado de Trabalho: Expectativas, Dificuldades e Conquistas”, promovido pelo Instituto Superior de Ciências Económicas e Empresariais (ISCEE) e alusivo ao Dia da Mulher Cabo-verdiana, Mariza Carvalho reconheceu os avanços registados em matéria de igualdade de género, mas alertou para os desafios persistentes.
Segundo dados analisados pelo ICIEG, uma das principais dificuldades das mulheres prende-se com a conciliação entre a vida pessoal e profissional.
“O tempo que a mulher ainda passa a tomar conta da casa e dos seus dependentes condiciona gravemente o acesso e a permanência no mercado de trabalho”, afirmou.
A responsável sublinhou que muitas mulheres recorrem à informalidade para gerar rendimento, devido à necessidade de conciliar responsabilidades familiares com atividade económica.
“O trabalho não remunerado ainda tem condenado as mulheres à inactividade, ao desemprego e à precariedade laboral”, acrescentou.
Mariza Carvalho defendeu o reforço de políticas públicas, nomeadamente a criação de um sistema nacional de cuidados capaz de reduzir a sobrecarga sobre as mulheres.
“Criar estruturas que libertem principalmente as mulheres desta carga dupla permitirá o acesso ao mercado de trabalho, à capacitação e à participação política, sobretudo neste ano de eleições”, disse.
Apesar dos constrangimentos, a presidente do ICIEG destacou progressos no país, apontando para um quadro legislativo favorável e para o aumento da presença feminina em diferentes setores.
Segundo dados do ICIEG, as mulheres representam cerca de 70% dos estudantes universitários em Cabo Verde e reforçam a sua presença na administração pública e em cargos de chefia intermédia.
Mariza Carvalho alertou ainda para desafios emergentes, como violência baseada no género, assédio laboral e cyberbullying, sublinhando que “foram feitos avanços, mas é necessário manter atenção aos novos desafios”.
O debate integrou a segunda edição do “Women’s Berdianas”, iniciativa do ISCEE que reuniu estudantes, convidados especiais e representantes institucionais para reflectir sobre o contributo das mulheres no desenvolvimento social e económico de Cabo Verde.
ET/JMV
Inforpress/Fim
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