
Assomada, 25 Mar (Inforpress) – Uma actividade promovida pela Delegacia de Saúde de Santa Catarina alertou hoje para os efeitos das alterações climáticas na saúde mental das mulheres rurais.
A iniciativa, realizada nas instalações da delegacia, contou com profissionais de saúde, mulheres rurais e representantes da sociedade civil.
O enfermeiro especialista em saúde mental e comunitária José Maria sublinhou que as mudanças climáticas agravam a segurança alimentar, o acesso à água potável e os meios de subsistência, afectando especialmente mulheres dependentes da agricultura.
“Quando falta alimento ou água em condições, surgem consequências físicas e psicológicas que muitas vezes não são acompanhadas”, afirmou, defendendo políticas públicas que aproximem os serviços de saúde mental das comunidades.
José Maria reconheceu que Cabo Verde dispõe de serviços básicos nesta área, mas considerou necessário “fazer muito mais” para garantir cobertura efectiva e reduzir o estigma.
O enfermeiro apelou ainda à criação de redes de apoio comunitárias e ao reforço do acesso a bens essenciais.
A enfermeira Ineida Rompão, do posto de saúde de Achada Lém, explicou que a actividade resultou da experiência directa com mulheres rurais, consideradas as “mais vulneráveis” às mudanças climáticas.
Segundo ela, muitas enfrentam longas jornadas no campo sob condições adversas, sem conhecimento sobre os riscos físicos e psicológicos.
Dados do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC) indicam que mulheres em zonas rurais representam cerca de 80% das pessoas deslocadas por desastres climáticos.
Em África, eventos climáticos extremos aumentam até 30% o risco de ansiedade e depressão em comunidades vulneráveis.
Em Cabo Verde, as secas agravam a fragilidade socioeconómica das famílias rurais.
A Organização Mundial da Saúde estima que uma em cada cinco mulheres no mundo sofrerá algum transtorno mental ao longo da vida, com maior incidência em contextos de pobreza e instabilidade ambiental.
Em África, o acesso a cuidados especializados é limitado, com menos de um profissional de saúde mental por 100 mil habitantes em vários países.
MC/JMV
Inforpress/Fim
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