
Praia, 24 Mar (Inforpress) – O investigador cabo-verdiano Tito Gonçalves defendeu hoje que a comunidade emigrada nos Estados Unidos enfrenta dificuldades de integração, apesar de demonstrar elevada resiliência, segundo um estudo centrado em Brockton, no Estado de Massachusetts.
Em declarações à Inforpress, a propósito do livro “Resiliência e Satisfação com a Vida dos Imigrantes nos EUA: Um Olhar sobre a Comunidade Cabo-Verdiana em Brockton”, o autor explicou que a investigação resulta de uma inquietação pessoal surgida durante o período em que viveu naquela cidade norte-americana.
De acordo com Tito Gonçalves, o estudo identificou várias vulnerabilidades entre os imigrantes cabo-verdianos, nomeadamente problemas de habitação, barreiras linguísticas e acesso limitado aos cuidados de saúde.
A investigação, desenvolvida na área da psicologia positiva e em colaboração com Osvaldo Borges, aponta ainda a falta de domínio da língua inglesa como um dos principais entraves à integração, a par das dificuldades de acesso a serviços sociais e da baixa auto-estima de parte da comunidade.
O autor considera que o fenómeno da chamada “fuga de cérebros” se traduz num desperdício de potencial humano, uma vez que muitos imigrantes acabam por trabalhar em sectores pouco qualificados, sem correspondência com a sua formação académica.
Tito Gonçalves defendeu, por isso, a necessidade de ajustes nas políticas públicas dirigidas à diáspora, tanto por parte das autoridades cabo-verdianas como das entidades locais em Brockton, no sentido de reforçar o apoio social e melhorar o ensino da língua inglesa.
“Precisamos de mais apoio para que a nossa comunidade não seja desperdiçada, mas sim integrada em funções que respeitem as suas competências”, afirmou.
O investigador manifestou ainda a expectativa de que o estudo contribua para alterar a percepção da sociedade cabo-verdiana sobre a experiência migratória, sublinhando o papel da resiliência face às adversidades.
Por outro lado, destacou a importância da espiritualidade e do apoio de instituições comunitárias, como escolas, igrejas e famílias, no reforço da auto-estima e do equilíbrio emocional dos imigrantes naquela cidade norte-americana.
JBR/JMV
Inforpress/fim
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