Dia Mundial da Tuberculose: médica apela a diagnóstico precoce e adesão ao tratamento

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Dia Mundial da Tuberculose: médica apela a diagnóstico precoce e adesão ao tratamento
24/03/26 - 04:00 am

Cidade da Praia, 24 Mar (Inforpress) – A tuberculose continua a ser um problema relevante de saúde pública em Cabo Verde, alertou hoje a infecciologista Miriam Canuto, apelando ao reforço do diagnóstico precoce, à adesão ao tratamento e ao combate ao estigma associado à doença.

O apelo foi feito em entrevista à Inforpress, no âmbito do Dia Mundial do Combate à Tuberculose, assinalado hoje sob o lema "Sim! Podemos acabar com a tuberculose”.

Segundo Miriam Canuto, que trabalha no Hospital Universitário Agostinho Neto, a tuberculose é uma doença infecciosa causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, transmitida pelo ar através de gotículas expelidas por pessoas infetadas ao tossir ou falar.

A especialista sublinhou que, por se tratar de uma doença contagiosa que afeta toda a sociedade, o seu combate exige um esforço conjunto, envolvendo famílias, comunidades, profissionais de saúde e decisores políticos, com investimento em melhores condições de vida e acesso à saúde.

Cabo Verde já alcançou marcos iniciais da estratégia global para eliminação da tuberculose, registando reduções na incidência e mortalidade desde 2015, destacou a médica.

Neste contexto, apontou o papel das estruturas de saúde, nomeadamente do Hospital Universitário Agostinho Neto, no diagnóstico precoce, disponibilização de testes rápidos e início atempado do tratamento.

Dados de 2025 indicam a ocorrência de 123 novos casos no país, número que, segundo a infecciologista, reflete esforços na identificação de casos ainda não diagnosticados na comunidade.

A tuberculose afecta sobretudo adultos jovens em idade produtiva, com predominância do sexo masculino e maior incidência em contextos de vulnerabilidade social, incluindo consumo excessivo de álcool e outras drogas.

Entre os sintomas mais frequentes estão tosse persistente por mais de três semanas, perda de peso inexplicável, febre baixa prolongada, suores noturnos, cansaço e falta de apetite.

Para garantir a adesão ao tratamento, que dura cerca de seis meses, os serviços de saúde adotam estratégias como terapia diretamente observada, acompanhamento regular dos pacientes, envolvimento familiar e ações de educação para a saúde.

A infecciologista salientou que pessoas com VIH, sobretudo em fase avançada, bem como indivíduos com doenças crónicas, desnutrição ou que vivem em condições sociais precárias, apresentam maior vulnerabilidade à tuberculose.

Entre os progressos alcançados no país, destacou o fortalecimento do Programa Nacional de Controlo da Tuberculose, aumento da taxa de sucesso terapêutico, melhoria do acesso ao diagnóstico rápido, capacitação de profissionais de saúde e disponibilidade contínua de medicamentos gratuitos.

O teste molecular rápido Xpert, disponível em Cabo Verde desde 2014, permite detetar a presença do bacilo e eventuais resistências a medicamentos em cerca de duas horas, possibilitando início de tratamento adequado desde cedo.

Apesar dos avanços, Miriam Canuto alertou que o diagnóstico tardio e a desistência do tratamento continuam a ser desafios significativos, podendo favorecer a propagação da doença, falhas terapêuticas e resistência aos medicamentos.

"A tuberculose tem cura e o tratamento é gratuito", enfatizou, apelando à procura precoce dos serviços de saúde perante sintomas suspeitos, à não interrupção da medicação e ao apoio aos doentes para combater o estigma.

A especialista concluiu que a eliminação da tuberculose exige esforço conjunto entre autoridades, profissionais de saúde, famílias e comunidade, com aposta contínua no diagnóstico precoce, tratamento eficaz e melhoria das condições de vida.

DG/JMV

Inforpress/Fim

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