
Cidade da Praia, 21 Mar (Inforpress) – O músico George Tavares manifestou hoje preocupação com o uso crescente da inteligência artificial na música, alertando para os riscos à criatividade, à essência artística e ao futuro dos profissionais do sector em Cabo Verde.
Em entrevista à Inforpress, o músico alertou hoje para os desafios que a inteligência artificial (IA) representa para o setor musical, considerando que a sua utilização crescente pode comprometer a autenticidade e a qualidade da produção artística.
O artista afirmou que a música se tornou “um sector muito desafiante”, sobretudo devido ao recurso à IA, que, segundo disse, tem levado muitos a deixarem de investir na aprendizagem e no desenvolvimento de competências musicais.
Questionou ainda o reconhecimento de obras produzidas com recurso à inteligência artificial, levantando dúvidas sobre a sua legitimidade em premiações como os Cabo Verde Music Awards (CVMA).
O músico considerou que o uso indiscriminado desta tecnologia representa “uma afronta à música”, defendendo que a criação artística deve resultar do talento e da capacidade humana, e não apenas de ferramentas digitais.
Para o artista, a “musica cabo-verdiana está a contribuir para o PIB nacional”, mas devido a recurso da IA pode também afectar negativamente a dimensão cultural e espiritual da música cabo-verdiana, contribuindo para a perda da sua essência e identidade.
Tavares alertou igualmente para possíveis consequências sociais, nomeadamente o desinteresse dos jovens pela escrita e composição, bem como o risco de aumento do desemprego no sector criativo.
Segundo a mesma fonte, a IA está a “substituir o cérebro”, e deste modo vai deixar muitas pessoas desempregadas e com preguiça de pensar para fazer o seu trabalho.
Perante este cenário, apelou a uma reflexão mais profunda sobre o uso da inteligência artificial, defendendo a necessidade de maior atenção para salvaguardar o futuro da música em Cabo Verde.
CG/SR//ZS
Inforpress/Fim
Partilhar