
Nova Sintra, 20 Mar (Inforpress) – Funcionários da Delegacia de Saúde da Brava denunciaram hoje à Inforpress, uma situação crítica na instituição, apontando a falta de gás para refeições, ausência de administrador formal e alegada má gestão de pessoal, queixas que o delegado refutou.
Segundo os denunciantes, que preferiram anonimato, a unidade hospitalar enfrenta actualmente a falta de combustível para confeccionar e aquecer alimentos, resultando na ausência de alimentação regular para os pacientes internados.
“Os internados estão a ficar sem comida”, alertaram, sublinhando que, no entanto, a delegacia dispõe de meios que deveriam garantir esse serviço essencial.
As queixas estendem-se à gestão administrativa, alegadamente assegurada por um psicólogo sem as competências formais para o cargo, e à falta de proximidade do delegado de saúde com a comunidade e os doentes.
Os funcionários apontam ainda um “clima de intimidação" com ameaças de processos disciplinares, irregularidades no cumprimento de férias de colaboradores com vínculos familiares à direcção e a quebra grave de sigilo profissional em casos sensíveis como o VIH.
Face ao que descrevem como uma instituição "ao abandono", os profissionais apelam a uma intervenção urgente do Ministério da Saúde para averiguar o funcionamento da Delegacia de Saúde da Brava.
Contactado pela Inforpress, o delegado de saúde, Júlio Barros, negou as acusações de má gestão no hospital da ilha, garantindo que os serviços funcionam dentro da legalidade e que a instituição tem registado ganhos administrativos.
“Temos confiança no nosso trabalho e estamos seguros daquilo que estamos a fazer. A nossa preocupação é o bem-estar dos pacientes, entretanto o nosso calcanhar de Aquiles é a melhoria dos serviços que não encontramos quando chegámos”, afirmou.
O responsável explicou que a falta de gás se deve a um atraso de três meses no fornecimento proveniente de São Vicente, via Enacol, sublinhando que a resolução do problema não depende directamente da delegacia.
Relativamente às críticas sobre a alimentação, Júlio Barros adiantou que está em curso um processo de contratação para a cozinha junto do Ministério da Saúde.
O delegado rejeitou também as queixas de intimidação, afirmando que apenas exigiu o cumprimento do horário de trabalho aos funcionários.
Sobre a gestão de pessoal, esclareceu que a funcionária ausente solicitou licença sem vencimento e que o processo aguarda decisão superior. Júlio Barros aproveitou para destacar que a actual administração regularizou salários e contribuições para o INPS que encontrou em atraso.
Quanto ao sigilo profissional, o delegado defendeu que a responsabilidade é individual de cada técnico, assegurando ainda que o actual administrador, Adilson Bango, exerce as suas funções legalmente e tem contribuído para o progresso da unidade através de parcerias.
Júlio Barros concluiu afirmando que, apesar do direito de reclamação dos funcionários, a prioridade da sua equipa continua a ser o bem-estar dos pacientes e a recuperação de serviços que encontrou degradados ao assumir o cargo.
DM/CP
Inforpress/Fim
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