Sal lança projecto que quer rastrear 10 mil mulheres para prevenir cancro do colo do útero

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Sal lança projecto que quer rastrear 10 mil mulheres para prevenir cancro do colo do útero
16/03/26 - 07:22 pm

Espargos, 16 Mar (Inforpress) – O presidente da Associação África Avanza revelou hoje, no Sal, que o programa “+Saúde +Mulher” pretende atingir um universo de 10 mil mulheres, garantindo não só o diagnóstico, mas também o tratamento imediato de lesões precursoras do cancro.

Em declarações à imprensa, à margem da apresentação oficial da iniciativa, Iñaki Gascón explicou que o foco do projecto são mulheres entre os 25 e os 65 anos.

O objectivo, sublinhou, é oferecer “tranquilidade”, permitindo que as mulheres saibam se são portadoras do Vírus do Papiloma Humano (VPH) e, em caso positivo, recebam acompanhamento especializado.

“Não as vamos deixar sozinhas. As mulheres que testarem positivo serão encaminhadas para médicos ginecologistas da África Avanza para realizar um tratamento por calor, a termoablação, que impede a progressão do vírus para cancro do colo do útero”, assegurou o responsável.

De acordo com os dados técnicos apresentados, o projecto utiliza o equipamento de última geração GeneXpert, instalado no Laboratório de Virologia do Sal.

A tecnologia permite obter resultados em pouco mais de uma hora, uma mudança “drástica” face ao modelo anterior, que envolvia o envio de citologias para Lisboa, com custos elevados para as famílias mais humildes.

Iñaki Gascón avançou ainda que o projecto-piloto, que decorre desde meados de 2025 para testar a eficácia do sistema, já apresenta números expressivos.

“Já realizámos 600 testes. Destes, 23% das utentes testaram positivo para o vírus. Até ao momento, conseguimos realizar 55 tratamentos por termoablação, o que representa 40% dos casos positivos detectados que necessitavam de intervenção”, detalhou o presidente da associação.

O financiamento inicial do projecto é assegurado pelo grupo RIU Hotels & Resorts, que fornece os kits de colheita, os cartuchos de análise e o software de registo de dados.

O programa conta com uma equipa de 83 ginecologistas voluntários do Hospital Universitário de Cruces, em Bilbau (Espanha), que se deslocarão ao Sal a cada dois meses para missões de tratamento.

Alinhado com as directrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS), o projecto tem um ciclo inicial de cinco anos.

Embora esteja concentrado na Delegacia de Saúde dos Espargos, a organização não descarta a mobilização de equipas para Santa Maria e Palmeira num futuro próximo, mantendo a ambição de replicar o modelo na ilha da Boa Vista.

A África Avanza completa 13 anos de actuação em Cabo Verde, somando já mais de 1.500 cirurgias especializadas no Hospital Ramiro Figueira e 9.000 consultas infantis gratuitas no consultório social financiado pela RIU.

NA/JMV

Inforpress/Fim

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