Portugal: Mesa-redonda debate o ensino da língua cabo-verdiana em Lisboa

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Portugal: Mesa-redonda debate o ensino da língua cabo-verdiana em Lisboa
12/03/26 - 09:11 pm

Lisboa, 12 Mar (Inforpress) – A Delegação da Associação da Língua Materna Cabo-verdiana em Portugal (DALMACV-PT) promoveu hoje, em Lisboa, uma mesa-redonda subordinada ao tema “Kriolu é Txeu – o ensino da língua cabo-verdiana”.

A iniciativa realiza-se no âmbito da Quinzena da Literatura, da Escrita, da Oratura e da Cultura em Língua Cabo-verdiana, promovida em parceria com a Associação Cabo-verdiana de Lisboa (ACV), a editora Rosa de Porcelana, o grupo de recital de poesia Tapoé e o grupo coral Voz Terra.

A mesa-redonda foi moderada pela presidente da Comissão Científica da DALMACV-PT, Ana Josefa Cardoso, e contou com a participação dos oradores Alice Matos, Dulce Pereira, Hans-Peter Heilmair, Nélia Alexandre e Rui Guilherme, todos membros da Comissão Científica da DALMACV-PT.

Em declarações à Inforpress, a linguista Dulce Pereira defendeu que a língua cabo-verdiana deve ser ensinada nas escolas desde o pré-escolar, e não apenas a partir do 10.º ano de escolaridade, como tem sido defendido pelo Ministério da Educação de Cabo Verde.

Com experiência no ensino bilingue (crioulo e português) em Cabo Verde e em Portugal, a especialista afirmou que os alunos tendem a obter melhores resultados não só na aprendizagem da língua cabo-verdiana, mas também na língua portuguesa e noutras áreas.

Segundo explicou, a experiência mostra que é possível ensinar na língua materna – neste caso, o crioulo cabo-verdiano – e alcançar resultados positivos. Por isso, apelou às autoridades cabo-verdianas para que não neguem às crianças o direito de aprender na sua própria língua materna.

Na mesma linha, Alice Matos indicou que, na sua comunicação, abordará a questão do bilinguismo, procurando discutir se este será um estorvo ou uma condição para se começar a estabelecer uma nova forma de diálogo entre a língua materna e a língua portuguesa.

Para a investigadora, o ensino da língua materna em Cabo Verde, quando implementado, estará a cumprir um princípio reconhecido a nível nacional e internacional: o direito de todas as crianças a aprenderem e terem acesso ao ensino na língua materna.

A primeira actividade, realizada a 19 de fevereiro nas instalações da ACV, foi dedicada às questões jurídicas ligadas à língua cabo-verdiana e ao alfabeto.

A sessão de hoje, no mesmo espaço, foi considerada pela organização como “extremamente importante”, sendo destacado que a Comissão Científica contribuiu com um parecer que levou à suspensão do Manual de Língua e Cultura Cabo-verdiana.

A DALMACV-PT tem ainda prevista uma terceira actividade no dia 20 de março, para assinalar o Dia Mundial da Poesia, com o lançamento de um livro em crioulo de um poeta cabo-verdiano, seguido de um recital de poesias também em crioulo.

FM/JMV

Inforpress/Fim

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