
Santa Maria, 03 Mar (Inforpress) – A Escola de Hotelaria e Turismo de Cabo Verde (EHTCV) procedeu, segunda-feira, na ilha do Sal, à entrega de 520 certificados profissionais a cativos do sector do turismo, no quadro do Processo de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências (RVCC).
A cerimónia, presidida pelo primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, contemplou profissionais com mais de 25 anos de idade e pelo menos cinco anos de experiência, distribuídos pelas áreas de cozinha (141), serviços de alimentos e bebidas (299), guias de turismo (30), recepção (27) e padaria e pastelaria (22).
Na ocasião, o chefe do Governo destacou o crescimento da iniciativa, lembrando que em 2024 foram entregues 226 certificados, número que agora mais do que duplicou.
"Isto significa que esta iniciativa é muito importante e deve continuar", afirmou Ulisses Correia e Silva, anunciando a meta de entrega de mais 700 certificados e respectivas carteiras profissionais para 2026.
O primeiro-ministro sublinhou que a certificação cria um “círculo virtuoso”, defendendo que uma maior qualificação resulta em melhor serviço e maior produtividade, o que deve traduzir-se em "melhor remuneração" para os trabalhadores.
A propósito, Ulisses Correia e Silva reiterou o compromisso de elevar o salário mínimo nacional para 25 mil escudos até 2027, notando que esta medida deverá impulsionar igualmente os salários no sector do turismo, que já pratica médias superiores.
Por sua vez, o presidente da Câmara Municipal do Sal, Júlio Lopes, enfatizou que, embora o Governo tenha investido fortemente na parte física da ilha, citando os 30 milhões de euros na electricidade, a duplicação da capacidade de água e obras portuárias e rodoviárias, o diferencial do destino reside nas pessoas.
"Um turista, quando vai embora, não se lembra apenas do quarto; lembra-se do sorriso das pessoas. É isso que nos distingue de outros destinos como o Algarve ou as Canárias", sustentou o autarca para quem a formação contínua é a chave para manter o prestígio internacional de Cabo Verde.
Em representação dos formandos, o presidente da Associação Cabo-verdiana de Guias e Animadores Turísticos (Guiantur), António da Rosa, classificou o processo como um "passo gigante" para a credibilidade das classes, mas deixou um alerta sobre a necessidade de fiscalização.
"É necessário ter a carteira profissional, mas também ter fiscalização. Sem fiscalização, o processo de RVCC não vai funcionar plenamente", advertiu, apelando a um controlo mais rigoroso do exercício das profissões turísticas.
O processo de RVCC, promovido pela EHTCV, visa cobrir, a médio prazo, a totalidade dos cerca de 3.000 profissionais que actuam no sector do turismo na ilha do Sal sem certificação formal, garantindo-lhes o acesso à Carteira Profissional.
NA/CP
Inforpress/Fim
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