Praia: HUAN aposta no rastreio desde a maternidade para prevenir surdez infantil em Cabo Verde

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Praia: HUAN aposta no rastreio desde a maternidade para prevenir surdez infantil em Cabo Verde
03/03/26 - 03:27 pm

Cidade da Praia, 03 Mar (Inforpress) - O Serviço de Otorrinolaringologia do Hospital Universitário Agostinho Neto realizou hoje, na cidade da Praia, uma acção de avaliação auditiva e manutenção de aparelhos a crianças e jovens, para assinalar o Dia Mundial da Audição e reforçar o diagnóstico precoce.

A actividade decorreu, na sede da Associação Cabo-verdiana de Surdos, em Achada Santo António, e envolveu cerca de 30 crianças e jovens com problemas auditivos, dos quais 13 do ensino primário e 17 do ensino secundário.

A iniciativa enquadra-se nas comemorações do Dia Mundial da Audição, instituído pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2008 e celebrado anualmente a 03 de Março.

Este ano, sob o lema “Das comunidades para as escolas-cuidados auditivos para todas as crianças”, o serviço decidiu sair do hospital e aproximar-se da comunidade escolar.

A médica otorrinolaringologista e responsável pelo serviço no Hospital Dr Agostinho Neto, Carmen Almeida, explicou que a escolha do espaço resultou da necessidade de assegurar melhores condições para a avaliação, uma vez que o ruído nas escolas poderia comprometer os exames.

Durante a acção, a equipa acompanhou crianças surdas, jovens com atraso na fala e utilizadores de aparelhos auditivos, assegurando também a manutenção dos equipamentos, tarefa considerada essencial para o bom desempenho escolar e social.

Segundo a especialista, o grande objectivo do hospital consiste no rastreio desde a maternidade, para que todas as crianças que nasçam com problemas auditivos sejam identificadas o mais cedo possível.

Realçou, contudo, que muitas chegam aos serviços apenas aos três ou quatro anos, o que pode limitar determinadas intervenções.

A médica elucidou que a perda auditiva tem múltiplas causas, desde factores genéticos e familiares, infecções durante a gravidez, uso de certos medicamentos, exposição à radiação, complicações no parto e doenças como meningite após o nascimento.

Referiu ainda que, quando o diagnóstico ocorre precocemente, existem soluções eficazes, incluindo aparelhos auditivos e, em alguns casos, implante coclear, procedimento que deve ser realizado antes do início da fala, acompanhado de terapia da fala e apoio especializado.

Almeida alertou igualmente para o uso excessivo de auscultadores e para o impacto da tecnologia na comunicação das crianças, defendendo maior vigilância por parte dos pais.

“No Dia Mundial da Audição, apelamos aos pais para estarem atentos aos sinais, como televisão em volume elevado, fala alta ou dificuldades de comunicação, e procurarem ajuda cedo”, afiançou.

Dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) indicam que, em 2021, a deficiência auditiva atingia 1,8 por cento (%) da população com cinco ou mais anos em Cabo Verde, afectando mais mulheres e residentes em meio urbano.

Apesar de não existirem números exactos por ilha, aquela responsável reconheceu que o acesso mais rápido a especialistas na cidade da Praia e em São Vicente permite diagnósticos mais atempados nessas localidades.

Desde 2021, Cabo Verde promove rastreios comunitários, sessões clínicas, palestras e doação de próteses auditivas para assinalar a data, consta do relatório anual do Dia Mundial da Audição e recebeu certificados de participação entre 2022 e 2025.

KF/SR/ZS

Inforpress/Fim

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