
Mindelo, 22 Fev (Inforpress) – Os mandingas realizam hoje o desfile de “enterro do Carnaval”, cumprindo um percurso mais curto do que o habitual, para chegarem mais cedo à Avenida Marginal, onde será efectuado o acto simbólico de despedida do Carnaval.
Em declarações à Inforpress, o presidente do grupo Mandingas de Ribeira Bote, Tau Rodrigues, explicou que, desta vez, o desfile arranca no Pelourinho de Ribeirinha, a partir das 15:00, seguindo em direcção à Cruz João Évora.
No entanto, o cortejo percorrerá a Avenida Alberto Leite, excluindo a via que passa entre Madeiralzinho e Chã de Alecrim.
Segundo a mesma fonte, a alteração visa evitar paragens a meio do percurso, permitindo que o cortejo chegue mais cedo à Avenida Marginal.
“Constatámos que temos estado a gastar muito tempo a percorrer a via de Madeiralzinho-Chã de Alecrim. Por causa disso, há uma grande aglomeração de pessoas e somos obrigados a parar muitas vezes, o que tem aumentado o tempo do cortejo”, justificou, realçando que, devido a essa situação “têm chegado à noite à Avenida Marginal, impossibilitando muitas pessoas de ver o enterro do Carnaval”.
Com encurtar do percurso, a expectativa é que o enterro aconteça às 18:00, na praia em frente à Praça Nhô Roque, na Avenida Marginal, onde será efectuado o enterro, cumprindo a tradição.
O enterro do Carnaval, realizado anualmente pelos mandingas, marca o encerramento oficial das festividades em São Vicente, num desfile com forte participação popular que alia sátira e crítica social.
Num cortejo encenado como um funeral, os mandingas percorrem as ruas da cidade do Mindelo, protagonizando uma performance marcada pelo humor mordaz e pela dramatização exagerada, reafirmando-se como um dos momentos mais simbólicos do calendário carnavalesco da ilha.
O “defunto”, figura alegórica que simboliza o Carnaval, é acompanhado por mandingas caracterizados com pintura corporal escura, correntes e bastões com chifres de animais e bonecos, além de trajes que evocam referências africanas.
Participam ainda padres e outras personagens que recriam um ambiente fúnebre, com choros e lamentações, numa clara paródia aos rituais tradicionais.
Durante o percurso, não faltam críticas sociais e referências a acontecimentos marcantes do ano, elemento que caracteriza o Carnaval mindelense como espaço de liberdade de expressão.
CD/CP
Inforpress/Fim
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