
Tarrafal, 23 Jan (Inforpress) – O selecionador nacional de futsal e os atletas destacaram o trabalho realizado e a visão de futuro para a modalidade, após a vitória por 4-0 frente ao Senegal, na estreia de Cabo Verde nos preliminares de acesso ao CAN.
No final do jogo, o selecionador Manolo Pagani manifestou satisfação pelo resultado, mas sublinhou que o triunfo é, sobretudo, reflexo de um processo sustentado de trabalho.
Segundo explicou, a equipa técnica vem, há vários anos, a observar jogadores que actuam nos campeonatos europeus, com o objetivo de reunir um grupo competitivo e com qualidade.
“Estou extremamente contente com o resultado, mas, acima de tudo, com o grupo de jogadores e com a comissão técnica. Este resultado é fruto de um trabalho feito ao longo de muitos anos”, afirmou, alertando, no entanto, para a exigência do futsal, uma modalidade em que “o jogo pode mudar muito rapidamente”.
O técnico garantiu que a equipa vai trabalhar durante a semana para melhorar o controlo do jogo e a organização defensiva, procurando defender a vantagem alcançada e, em simultâneo, marcar mais golos na segunda mão, marcada para Dakar.
Pagani reconheceu ainda as dificuldades impostas pela força física da seleção senegalesa, composta por jogadores que actuam nos campeonatos franceses, mas destacou a superioridade demonstrada por Cabo Verde.
Além da vertente competitiva, o selecionador defendeu o reforço da formação e da capacitação como pilares para o futuro do futsal nacional, apontando a necessidade de investir continuamente na formação e reciclagem de treinadores, condição essencial para o surgimento de mais e melhores jogadores, incluindo talentos locais.
Entre os atletas, o sentimento foi de orgulho e responsabilidade. Ezequiel, autor de um dos golos, disse ser difícil explicar a emoção de marcar pela seleção nacional diante de uma grande moldura humana.
Para o jogador, a vitória representa também uma retribuição ao esforço da Federação e de toda a estrutura envolvida na promoção da modalidade.
O capitão Rui Fortes, que marcou dois golos, considerou que a seleção começou “com o pé direito”, mas advertiu que o objetivo ainda não está cumprido.
“É apenas o primeiro passo de um projecto que tem muito caminho pela frente. Temos de manter os pés no chão e preparar bem o segundo jogo”, afirmou, acrescentando que representar a seleção nacional sempre foi um sonho pessoal.
Já Hélder, autor do primeiro golo de sempre da seleção nacional de futsal e natural do município de Santa Catarina, manifestou orgulho pelo momento histórico, reconhecendo o trabalho da equipa técnica e o esforço coletivo, apesar do curto período de preparação, marcado por apenas três treinos conjuntos.
Naquela que foi a primeira participação de Cabo Verde numa prova de apuramento para o CAN de futsal, a seleção crioula chegou ao intervalo a vencer por 2-0, com golos de Hélder, aos quatro minutos, e de Rui Fortes, aos 15.
Na segunda parte, Ezequiel e, novamente, Rui Fortes, que bisou, fixaram o resultado.
O jogo atraiu uma grande moldura humana ao pavilhão do Tarrafal de Santiago e permitiu a Cabo Verde dar um passo importante rumo à segunda fase da qualificação, sendo que o vencedor desta eliminatória irá defrontar o Egipto.
A confirmação da passagem será decidida no jogo da segunda mão, agendado para quarta-feira, 28, em Dakar.
MC/JMV
Inforpress/Fim
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