Boa Vista: Eutrópio Lima da Cruz encerra “trilogia cultural” com obra que resgata legado de “Ti Dão”

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Boa Vista: Eutrópio Lima da Cruz encerra “trilogia cultural” com obra que resgata legado de “Ti Dão”
16/12/25 - 11:58 pm

Sal Rei, 16 Dez (Inforpress) – O livro “Adão de Jovita – Ti Dão e o seu Rabil (1926-1991)”, de Eutrópio Lima da Cruz, foi lançado hoje na Boa Vista e encerra uma trilogia dedicada ao resgate dos compositores mais representativos da ilha.

No evento iniciou e terminou com composições do Ti Dão, no Centro de Arte e Cultura, onde o autor explicou que a obra representa um dever de "restituir à ilha o seu trio principal", composto por Mané Rezuedje, Djidjungue e, agora, Ti Dão (Adão Silva Gomes).

Para Eutrópio Lima da Cruz, o homenageado foi o “Manel d’Novas da Boa Vista”, um cronista social atento que, através das suas composições, captava as vivências e as emoções do povo, devolvendo-as em forma de arte.

Segundo o mesmo, a obra destaca a faceta de Ti Dão como um observador atento aos flagrantes do cotidiano, incluindo a sua postura como "ambientalista antecipado". Já em 1958 o compositor utilizava as suas letras para denunciar o impacto de derrames de óleo de navios na costa norte, uma mensagem de consciência social que o autor considera fundamental para as novas gerações de músicos.

A nível musical Eutrópio Lima da Cruz adiantou que o livro sistematiza a obra do compositor em partituras e poesia, mencionando a particularidade do seu "ritmo sambado", fruto das influências históricas brasileiras na ilha e da sua convivência em São Vicente com mestres como Luís Rendall.

O autor ressalta que o livro faz justiça histórica ao repor autorias de peças que circulavam de forma imprecisa, dando como exemplo uma peça instrumental que, segundo o mesmo, foi gravada pelo músico Bau, e que foi erradamente atribuída a Luís Rendall.

A vereadora da Cultura, Nádia Santos, destacou a “parceria mútua de dar e receber” entre a Câmara Municipal da Boa Vista e o investigador, reforçando o compromisso da autarquia em dar continuidade ao legado, transformando o material agora publicado em conteúdo didático para a futura Escola de Música.

O lançamento, que contou com uma forte presença da comunidade do Rabil, ficou marcado pela entrega formal de 85 exemplares, incluindo obras sobre Djidjungue) à câmara municipal.

O autor, que assumiu os custos da edição, afirmou que “infelizmente o país ainda não tem cultura do livro”, e reiterou a urgência de preservar estes "mitos do imaginário boa-vistense" para que o seu legado perdure no tempo.

Defendeu ainda que é preciso novos compositores, "que são de alguma forma voz e consciência do seu ambiente".

MGL/CP

Inforpress/Fim

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