
Mindelo, 21 Abr (Inforpress) – O bispo da Diocese do Mindelo, Dom Ildo Fortes, considerou, no Mindelo, que o Papa Francisco, falecido hoje, aos 88 anos, foi um homem que se deu até o último momento e deixa uma “marca indelével” no mundo.
Segundo a mesma fonte, esta segunda-feira tornou-se num dia de “muita tristeza” pela notícia da morte do Papa, embora um tanto ou quanto esperada pela sua delicada situação de saúde.
Dom Ildo Fortes referiu-se ao esforço feito pelo pontífice para celebrar no domingo, 20, a benção de Páscoa, na Basílica de São Pedro, em Roma, mesmo estando doente.
“E devo dizer que foi um gesto significativo. Nós estamos diante de alguém que se deu até ao fim, literalmente falando, o contexto da Páscoa de Jesus. O Papa Francisco, para mim, é, nesses nossos tempos, o ícone, a imagem mais perfeita de quem quis pôr em prática o Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo”, enfatizou.
Daí, sublinhou, o momento ser de dor, mas também de esperança, num legado de um homem, que “foi muito amado, e quantificado pelo signo da pobreza”.
O bispo da Diocese do Mindelo acredita que tudo isso ficou reflectido na última aparição do Papa e ao pedir que todos fossem “presença de esperança junto dos pobres, dos oprimidos, dos que sofrem, das mulheres assassinadas, dos que desistiram, das vítimas da guerra”.
Palavras, conforme a mesma fonte, de um “líder credível” e de um homem que “teve a coragem de pôr o dedo na ferida”.
“Muita gente não entendeu, inclusive da parte da Igreja, alguns não entenderam que este Papa tivesse sublinhado tantas vezes todos, todos, todos, todos têm lugar, todos têm parte na Igreja”, enalteceu Dom Ildo Fortes, para quem Francisco era um “Papa de coração universal”.
O bispo considerou que uma das últimas e maiores obras do pontífice foi o Sínodo dos Bispos, no qual teve oportunidade de participar e num evento onde o bispo de Roma procurou pôr em marcha o Conselho Vaticano II, que foi o último conselho para a renovação da igreja.
“Uma igreja actualizada, neste tempo, uma igreja junto dos oprimidos, uma igreja que fale a linguagem que os homens percebam, uma igreja que não seja clerical, mas uma igreja de comunhão”, enalteceu.
Apontou ainda outras reformas feitas pelo Papa como colocar mulheres em posições de decisão no Vaticano, e ainda colocar um leigo à frente do Dicastério de Comunicação.
Por tudo isso e muito mais, Dom Ildo Fortes garantiu que o Papa Francisco deixa uma “marca indelével” que deve ser seguida, com respeito à sua dinâmica e às reformas feitas por si na Igreja Católica.
Jorge Mario Bergoglio nasceu a 17 de Dezembro de 1936, em Buenos Aires, capital da Argentina, e foi ordenado a 13 de Dezembro de 1969, durante os estudos na Faculdade de Teologia do colégio de São José, em São Miguel de Tucuman (norte da Argentina).
Em 1969, viajou para Espanha, onde cumpriu o seu terceiro período de preparação sacerdotal na Universidade de Alcalá de Henares, em Madrid. Em 1972, regressou à Argentina para ser professor de noviços na localidade de São Miguel de Tucuman.
Entre 1980 e 1986, desempenhou as funções de reitor da Faculdade de Filosofia e Teologia de São Miguel. Concluiu o doutoramento na Alemanha, e foi também confessor e diretor espiritual da Companhia de Jesus, em Córdova (Espanha).
A nomeação como bispo aconteceu a 20 de Maio de 1992, quando o Papa João Paulo II lhe confiou a diocese de Auca e o tornou bispo auxiliar da diocese de Buenos Aires.
Cinco anos mais tarde, em 1997, foi nomeado arcebispo coauditor de Buenos Aires e em 1998, depois da morte do arcebispo e cardeal Quarracino, subiu a arcebispo da capital argentina.
O cardeal argentino integrava a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, do Conselho Pontifício para a Família e a Comissão Pontifícia para a América Latina. Foi presidente da conferência de bispos na Argentina, entre 8 de Novembro de 2005 e 08 de Novembro de 2011.
A 13 de Fevereiro de 2013, dias depois da renúncia de Bento XVI, Bergoglio foi escolhido como o próximo Papa, após cinco votações, no quinto dia do conclave.
A escolha do jesuíta, na altura com 76 anos, acabou por surpreender os especialistas, já que não era dos mais novos do colégio cardinalício.
Além disso, estava eleito o primeiro papa latino-americano da História, facto comentado imediatamente por Francisco quando dirigiu as primeiras palavras enquanto Papa, a partir da varanda da Basílica de São Pedro, no Vaticano.
LN/CP
Inforpress/Fim
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