
Cidade da Praia, 10 Abr (Inforpress) - O Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses (INMLCF) promove hoje, na cidade da Praia, a segunda edição de uma formação sobre crimes sexuais e o papel da comunicação social, visando reforçar a cooperação com os media.
Pretende-se com esta edição intitulada "Actuação da medicina legal e ciências forenses com ênfase nos crimes sexuais: O impacto da comunicação social", estreitar a cooperação com os órgãos de comunicação social e melhorar a transmissão de informação à sociedade.
A formação decorre no Centro de Formação da Polícia Judiciária e conta com a participação de profissionais da imprensa, com enfoque na partilha de experiências, casos práticos e no papel crucial dos media na abordagem de crimes sexuais e outros casos sensíveis.
Em declarações à imprensa, a médica legista Ineida Cabral Sena sublinhou a importância desta iniciativa, destacando que, embora existam limitações legais no que diz respeito à divulgação de informações devido ao segredo de justiça, há um esforço crescente em colaborar com a comunicação social para garantir que a população seja devidamente informada.
“Muitas vezes não conseguimos dar todas as informações que seriam necessárias para uma notícia, mas reconhecemos que a população precisa estar informada. Esta formação é um espaço para partilhar ideias com os nossos parceiros da comunicação social”, afirmou.
Segundo a médica legista, esta edição é financiada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e visa também promover uma ligação mais forte entre as instituições, tendo em conta o aumento de denúncias de agressões sexuais, especialmente entre rapazes.
“Verificamos um aumento nas denúncias, e não necessariamente nos casos, que já existiam. São vítimas crónicas que, agora, por causa da comunicação social e das campanhas informativas, sentem-se mais encorajadas a denunciar”, explicou.
Durante o encontro, são abordados temas como a agressão e o abuso sexual, a transmissão de doenças resultantes dessas agressões, homicídios, violência baseada no género, sanidade mental e casos de suicídio, considerados de extrema relevância, na prática forense e na cobertura mediática.
“Acreditamos que, através da comunicação social, conseguimos aliviar as causas, levar informação segura às famílias e contribuir para a prevenção e combate à violência”, concluiu a médica.
A formação enquadra-se numa estratégia do INMLCF de aproximação aos média, visando assegurar uma comunicação mais eficaz, ética e informada sobre assuntos de grande sensibilidade social.
Segundo dados oficiais, a população prisional de Cabo Verde é actualmente composta por cerca de 2.700 reclusos, dos quais 243 estão a cumprir penas por crimes sexuais contra menores, representando 14,5% do total.
O aumento de denúncias de crimes sexuais contra menores em Cabo Verde evidencia a gravidade do problema, pelo que a formadora realçou o papel crucial da comunicação social na sua visibilidade.
Considerou essencial a articulação entre justiça, medicina legal e os media, para prevenir, esclarecer e combater esses crimes, promovendo uma sociedade mais consciente e protectora dos direitos das crianças.
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Inforpress/Fim
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