“Saí do fundo do poço para mudar o meu destino e ser dona do meu próprio negócio” – empreendedora

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“Saí do fundo do poço para mudar o meu destino e ser dona do meu próprio negócio” – empreendedora
02/04/25 - 02:34 am

*** Por Carmen Mendes, da Agência Inforpress ***

Cidade da Praia, 02 Abr (Inforpress) – Marina Cardoso é uma empreendedora de 37 anos que deu a volta por cima, venceu os desafios e hoje vive uma vida que considera “de sonho e realizações” com a criação do próprio negócio.

Os pais deram-lhe o nome de Marina, mas foi ainda quando era adolescente que recebeu a alcunha Magnata, cujo significado, de acordo com a wikipédia, é um “poderoso empresário ou investidor que detém a propriedade pessoal ou o controlo acionário de uma empresa”.

Ao lançar um olhar para o seu “passado perturbado” ironiza que a alcunha Magnata, como é conhecida por todos, não correspondia com a vida que levava, mas sim com a actual. 

Filha de pescador e vendedeira ambulante, Marina Cardoso nasceu no bairro de Achada Santo António, mas há 37 anos os pais mudaram-se para a zona do Palmarejo.

Concluiu o 11.º ano de escolaridade e, conforme afirmou à Inforpress, foi uma jovem que cresceu sem ambição ou sonhos e que vivia “de forma desregrada, na bebedeira e festas”. 

“Eu não tinha nenhuma perspectiva de vida, não queria saber de nada. O que eu mais gostava de fazer era sair para divertir-me, beber, arrumar confusões por onde quer que passasse. Enfim, eu era uma mulher vazia e que tinha trilhado um caminho difícil porque estava a destruir a minha vida com as minhas acções e más escolhas”, declarou.

Magnata afirma que o lugar que ocupava era o “fundo do poço”, mas que um belo dia “a ficha caiu” e começou a pensar na “vida de boemia” que levava e que o amor pela sua filha, que não queria que escolhesse o mesmo caminho, a fez tomar a decisão de “mudar o rumo do barco”.

“Eu tenho uma filha e não quero que ela seja como fui, vi o quanto tinha sido uma péssima mãe com maus exemplos e por ela decidi sair de onde estava e procurar alguma coisa para fazer para lhe proporcionar uma vida digna e feliz. Então comecei a minha jornada de recuperação, restauração, venci os meus fantasmas, superei obstáculos e fui atrás dos meus sonhos que no fundo estavam enterrados”, declarou.

No entanto, lembra que a jornada não foi fácil porque no início teve “muita dificuldade” em conseguir obter alguma oportunidade, mas realçou que apesar dos desafios, momentos de desânimo, de pessoas a desencoraja-la e a não acreditar que ela havia mudado, não desistiu porque sabia o que queria daquele momento em diante.

Então, conforme contou, colocou a banheira na cabeça e começou a vender frutas, resgatando assim a profissão da mãe que foi vendedeira ambulante. 

Só que, salientou, a “nova Marina Magnata” queria não só vender frutas, mas sim ter o seu próprio negócio e ser uma empreendedora.

Decidiu procurar apoios, alguma oportunidade para ter o seu próprio negócio, mas, recordou, recebeu “muitos nãos”, até que um dia chegou a sua vez.

Conforme contou, bateu a uma porta e esta se abriu, foi acolhida e lhe ofereceram uma oportunidade que agarrou “com as duas mãos”.

“Graças ao apoio que recebi, a motocarro, hoje não ando com a cara no chão, sou a dona Magnata, sou realizada, realizei o sonho de ter casa própria. Descobri que sou forte, determinada que nada vai me tirar o foco e saí do fundo do poço porque sei onde estive e onde quero chegar", confessou.

Realçou que actualmente vende peixe fresco a clientes fixos que conquistou com o passar dos tempos.

Questionada como foi estar na estrada e ser a primeira mulher na cidade da Praia a conduzir, uma vez que, o respectivo motocarro ainda permite condução sem a exigência da carteira de motorista, Magnata afirma que teve que vencer o medo e encarar esse desafio com ousadia.

“Queria realmente incentivar as mulheres que estiveram na mesma situação que eu estive, ou que tem algum sonho, projecto, que sejam determinadas, na procura de apoios e oportunidades porque nós só venceremos se realmente acreditarmos e sermos perseverantes”, acrescentou.

Com lágrimas nos olhos e sorriso largo nos lábios, Marina Magnata afirmou que, ao lembrar do seu passado, muitas vezes não acredita que ela é dona do próprio negócio e que conseguiu dar a volta por cima, considerando assim ser uma "história de superação" e a prova de que “tudo é possível para aquele que luta”.

“Para mim agora o céu é o limite e o meu grande sonho é ter a minha própria peixaria Marina Magnata no futuro. Quero também ajudar outras pessoas assim como um dia fui. Como costumamos dizer, o caminho faz-se caminhando e sei que ainda tenho muitas coisas para conquistar porque a nova mulher que habita em mim não aceita menos do que merece e é dona da sua própria historia”, concluiu.

CM/AA

Inforpress/Fim

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