
Cidade da Praia, 28 Mar (Inforpress) – A coordenadora nacional do projecto “Pilon di Mudjer/Senhoras de Si”, Antonieta Martins, afirmou hoje, na Praia, que existem ainda sérios problemas em Cabo Verde no que diz respeito à aceitação daquilo que é a violência.
“As pessoas têm uma fraca noção do que é praticar uma violência contra outra. Violência, temos que entender que é todo o acto que um indivíduo exerce contra o outro tentando minimizar ou tentando retirar o seu poder”, observou.
Estas constatações foram feitas à imprensa, no âmbito do encerramento do projecto “Pilon di Mudjer/Senhoras de Si” que resultou no ano passado, de uma parceria entre várias instituições portuguesas e cabo-verdianas que actuam em áreas sensíveis dos direitos humanos.
O projecto tinha por objectivo capacitar jovens e mulheres em temas como a saúde sexual e reprodutiva, prevenção da violência baseada no género e empoderamento pessoal, promovendo mudanças significativas nas suas vidas e comunidades.
Para esta responsável, é preciso um longo trabalho de educação se realmente se quer driblar e sair dessa questão da violência baseada no género.
“Porque, às vezes, as pessoas não têm noção do que fazem, no relacionamento, sobretudo, entre casais ou entre pessoas, que a nossa atitude realmente é considerada uma violência”, frisou, sublinhando que este projecto pode ter contribuído, de alguma forma, para mudar essa conversa.
Antonieta Martins destacou a necessidade de se entender a violência como algo nocivo e não como parte do relacionamento ou da educação.
“A violência ainda continua a ser o dia-a-dia na sociedade cabo-verdiana. Na educação dos nossos filhos, nas atitudes que temos, numa simples conversa com amigos, entre os casais, nós ainda vamos tendo alguns comportamentos e atitudes que são considerados verdadeiramente violência, mas as pessoas não têm essa consciência”, mostrou.
Antonieta Martins observou que, ao longo do projecto, houve um crescente interesse das pessoas em discutir a violência, com muitos tendo um "clique" de conscientização ao perceberem atitudes que antes não viam como problemáticas.
Destacou ainda a importância de reforçar a educação sobre saúde sexual e reprodutiva, especialmente para adolescentes e jovens, salientando a necessidade de mais atenção a esses temas.
ET/CP
Inforpress/Fim
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