
Calheta, São Miguel, 25 Fev (Inforpress) – A presidente do Instituto do Património Cultural (IPC), Ana Samira Baessa, reiterou hoje, em São Miguel, o compromisso da instituição em valorizar a língua cabo-verdiana (crioulo) enquanto um património imaterial de Cabo Verde.
Ana Samira Baessa falava no seminário “A língua cabo-verdiana como veículo de afirmação da identidade cultural”, realizado no âmbito da celebração do Dia Internacional da Língua Materna, assinalado a 21 de Fevereiro.
“O compromisso do IPC, sem prejuízo de todo o debate que deve ser feito para a oficialização da língua cabo-verdiana, visando dar-lha mais dignidade e equipará-la à língua oficial do nosso país, é o da valorização da língua como património material”, reafirmou.
“Assim como valorizamos a tabanca e funaná, e todas as outras formas de expressão do património imaterial, temos que fortalecer o nosso compromisso na valorização da língua cabo-verdiana enquanto um património imaterial de Cabo Verde”, acrescentou Ana Samira Baessa.
Por outro lado, lembrou que o IPC estatutariamente tem a responsabilidade de cuidar do património do povo cabo-verdiano, do qual a língua faz parte, e é um dos “maiores tesouros” do país.
A responsável congratulou-se com o facto de o debate sobre a valorização da língua cabo-verdiana estar a ser feito hoje em São Miguel, no interior de Santiago, isto porque, segundo ela, tal iniciativa tem concentrado sempre nos centros urbanos, como Praia e São Vicente.
Por isso, avançou que o IPC vai continuar a descentralizar as actividades alusivas ao Dia Internacional da Língua Materna, que vai para além de debates com especialistas, por entender que a língua cabo-verdiana é um património de todos.
O evento, numa iniciativa do Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas, através do IPC, em parceria com a Associação da Língua Materna Cabo-verdiana (ALMA-KV/CV) e Câmara Municipal de São Miguel, foi presidido pelo edil micaelense, Herménio Fernandes.
O seminário, entre vários, teve como objectivo proporcionar um espaço de reflexão profunda sobre o papel da língua cabo-verdiana na criação artística e literária, sua importância na diáspora, e os desafios enfrentados para o seu reconhecimento formal.
Reuniu especialistas nas áreas da linguística, como Karina Moreira e Adelaide Monteiro, o artista e investigador Gil Moreira, e Manuel da Luz Gonçalves, que partilharam seus conhecimentos sobre o crioulo com alunos e professores das escolas de São Miguel, corpo diplomático e políticos.
FM/CP
Inforpress/Fim
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