
Cidade da Praia, 24 Fev (Inforpress) – O diretor nacional das Aldeias Infantis SOS de Cabo Verde reafirmou hoje o compromisso da organização na luta contra o abuso sexual de crianças e adolescentes, garantindo esforços contínuos para proteger os direitos e o bem-estar dos menores.
Ricardo Andrade falava esta tarde na cerimónia de lançamento do projecto “Djunta Mon na Prevenção ao Abuso Sexual de Crianças e Adolescentes e Apoio às Vítimas”, financiado pela União Europeia, em 370 mil euros, (mais de 40 mil contos) e implementado pelo comité de pilotagem de Janeiro de 2025 a Dezembro de 2027.
“Em nome deste comitê, reafirmamos o nosso compromisso inabalável neste combate e não descansaremos até que todas as crianças e adolescentes de Cabo Verde tenham o direito de crescer livres de qualquer forma de abuso, especialmente o abuso sexual”, disse.
Destacou que o projecto visa consolidar uma rede nacional de protecção baseada em três eixos fundamentais, nomeadamente, a prevenção, identificação e intervenção, e apoio e reintegração.
No primeiro eixo, a prevenção, serão promovidas campanhas educativas, formações e palestras dirigidas a crianças, pais, educadores e comunidades, com o objectivo de fortalecer a consciência e a capacidade de identificar e prevenir o abuso sexual.
“O segundo eixo, identificação e intervenção, foca-se na capacitação de profissionais da educação, saúde e assistência social para que possam detectar precocemente casos de abuso e activar respostas eficazes, garantindo uma proteção humanizada às vítimas”, apontou.
O terceiro eixo, apoio e reintegração, prevê a prestação de atendimento psicológico, jurídico e social às vítimas e às suas famílias, assegurando-lhes suporte para superar o trauma e reconstruir as suas vidas.
Ricardo Andrade reforçou que este projecto, embora seja um marco importante, não pode ser o fim da luta pela proteção infantil.
"Hoje lançamos um projecto, mas o nosso objectivo final é um movimento nacional capaz de chegar a cada canto do país, sem deixar nenhuma criança para trás. Juntos, podemos transformar esta visão em realidade, porque proteger uma criança é proteger o futuro, garantindo que a nossa sociedade cresça mais forte, mais justa e mais humana", afirmou.
O responsável sublinhou ainda que o projecto nasce como uma iniciativa piloto, mas que a necessidade de proteção infantil em Cabo Verde vai muito além dos territórios inicialmente abrangidos, daí a necessidade de expandir o programa e garantir que nenhuma criança fique sem protecção e sem esperança.
Reconheceu que o sucesso deste projecto depende do compromisso e da mobilização de todos, e neste sentido lançou um apelo directo à União Europeia e a todas as organizações internacionais que actuam na área da infância, incluindo a Unicef e as embaixadas, para que este financiamento sirva de incentivo a novos investimentos, parcerias e iniciativas, garantindo que nenhuma criança em Cabo Verde fique desprotegida ou sem esperança.
O comité de pilotagem é composto pelo Instituto Cabo-verdiano da Criança e do Adolescente (ICCA), o Instituto Cabo-verdiano da Igualdade e Equidade do Género (ICIEG), a Associação de Crianças Desfavorecidas, a Associação Cabo-verdiana para a Proteção da Família e a Associação de Mulheres Juristas.
Implementado nos municípios da Praia, Santa Catarinas e São Filipe, Fogo, o projecto conta ainda com a parceria de institucionais e da sociedade civil, incluindo a Procuradoria-Geral da República, a Curadoria de Menores, a Provedoria da Justiça, o Ministério da Educação, a Comissão Nacional dos Direitos Humanos e da Cidadania, a Polícia Nacional e entre outros.
AV/JMV
Inforpress/Fim
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