Cabo Verde com “aumento substancial” de vítimas de VBG acolhidas em centros de apoio em 2024

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Cabo Verde com “aumento substancial” de vítimas de VBG acolhidas em centros de apoio em 2024
20/02/25 - 02:44 pm

Cidade da Praia, 20 Fev (Inforpress) - Cabo Verde registou um "aumento substancial" de vítimas de VBG acolhidas nos centros de apoio em 2024, disse hoje à Inforpress a presidente do Instituto Cabo-verdiano para a Igualdade e Equidade de Género (ICIEG).

Marisa Carvalho fez estas afirmações em entrevista à Inforpress, a propósito dos casos de Violência Baseada no Género (VBG) e feminicídio que têm ocorrido nos últimos tempos, no país e na diáspora.

Avançou que a nível de homicídios com base em violência baseada no género tem se mantido os números, apesar da percepção que existe na sociedade cabo-verdiana de que os números tenham aumentado.

Segundo a presidente do ICIEG, em 2024 foram abrigadas 47 vítimas e 89 dependentes, na cidade da Praia, Santa Catarina e nas ilhas do Fogo e Santo Antão, um “aumento substancial” em relação ao ano de 2023, com apenas 20 vítimas.

Por isso, esta responsável destacou a importância de se fazer as denúncias, considerando que a denúncia, efectivamente, faz a diferença evitando que o pior aconteça.

Marisa Carvalho apontou que em Cabo Verde muitos casos de mortes que acontecem não tiveram denúncias prévias, apelando que todos devem lutar juntos para combater este flagelo, fazendo denúncias junto das entidades oficiais.

Em 2024, informou que houve cinco mortes associadas a homicídios com base na violência baseada no género, ressaltando que nem todos os homicídios são qualificados com base em VBG.

“É importante que as pessoas percebam que nem toda a violência, nem todas as mortes, nem todas as questões que têm a ver entre homens e mulheres ou entre mulheres e mulheres, ou entre homens e homens, é violência baseada no gênero, tem de ter certas características para que seja considerada violência baseada no género”, esclareceu.

A nível de denúncias,  a presidente do ICIEG  avançou que em 2024 foram feitas nesta instituição 311 denúncias a nível nacional.

Para colmatar este flagelo realçou que têm sido feitas campanhas de sensibilização nas escolas secundárias e básicas, universidades e nos órgãos de comunicação social, assim como formação e capacitação aos técnicos que trabalham estas temáticas, entre outras actividades.

“Temos sentido que junto dos jovens e da própria sociedade cabo-verdiana as questões da violência já estão cada vez menos a serem normalizadas. Mas há ainda questões que precisam de ser trabalhadas, sobretudo com adultos, a partir dos 45 anos”, sublinhou Marisa Carvalho.

A presidente do ICIEG destacou que o maior desafio desta instituição tem a ver com a realização de actividades devido aos recursos humanos.

Para terminar disse que a instituição almeja que todas as pessoas vivam de forma autónoma e sem violência independente da idade, sexo, ou qualquer outra coisa.

DG/CP

Inforpress/Fim

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