
Cidade da Praia, 19 Fev (Inforpress) – Os membros da Associação Cabo-verdiana das Pessoas com Deficiência (ACD) solicitaram hoje uma auditoria interna e externa a fim de analisar as actividades financeiras e as transações realizadas para o exterior pelo actual presidente Bernardino Gonçalves.
O presidente da mesa da Assembleia-Geral da ACD, Diamantino Moreno, falava em conferência de imprensa, na cidade da Praia, na companhia do presidente da Assembleia Concelhia Regional de Tarrafal de Santiago, Carlos Soares, para denunciar as alegadas ilegalidades e práticas adoptadas pelo presidente da associação.
Diamantino Moreno exigiu maior transparência e fiscalização nos processos para avaliar as transações financeiras da associação e do Centro Nacional Ortopédico e de Reabilitação Funcional (Cenorf).
Segundo avançou, foram assinados vários cheques para o exterior sem a ordem da direcção, reiterando que o tesoureiro não acompanha os movimentos do departamento e nem tem acesso às informações.
“É necessário uma auditoria interna e externa tanto à ACD e Cenorf, que recebem recursos do Estado em benefício das pessoas com deficiência. Solicitamos às entidades competentes esclarecimentos para dar garantia aos financiadores e sócios”, explicou, realçando que Bernardino Gonçalves “instalou a prática de nepotismo, favorecendo os parentes”.
O presidente da mesa da Assembleia-Geral da ACD apontou, a este propósito, que a nomeação de Helder Santos Pio, que antes ocupava a posição de suplente, para a função de vice-presidente da Assembleia-Geral, vivendo actualmente em São Vicente, viola 12 artigos do estatuto.
Destacou ainda que a insatisfação dos membros da direcção da ACD é “evidente”, com actos recorrentes de desrespeito e centralização de poder por parte de Bernardino Gonçalves.
“As pessoas e os funcionários têm denunciado maus tratos, eu assisti na reunião que tive com os funcionários, cadeirantes a chorar por serem maltratados, por isso não admito como presidente da mesa, como pessoa com deficiência e sócio”, posicionou.
Numa entrevista concedida esta terça-feira, 18, à Inforpress, Diamantino Moreno avançou que Bernardino Gonçalves não tem cumprido com o estatuto e que apenas obedece às regras quando é do "interesse pessoal" e não da organização que gere de forma "autoritária e desrespeitosa".
De entre as várias ilegalidades apresentadas pela fonte, indicou uma transferência feita por Bernardino Gonçalves no montante de 2.500 contos para o exterior, ressaltando que tem ocupado o poder de todos os órgãos máximo como a função de presidente da ACD, PCA do Cenorf e director nacional do Cenorf.
Esclareceu, por conseguinte, que a data de 21 de Fevereiro proposta pelo presidente da ACD para realização da Assembleia-Geral, não respeita as normas do estatuto e que, por isso, os membros não estarão presentes incluindo o próprio presidente da mesa da assembleia.
Instado a comentar as várias acusações que pairam sobre sua pessoa, Bernardino Gonçalves explicou que a associação conheceu períodos conturbados que culminaram nas eleições realizadas em Abril de 2024 com a nomeação da nova equipa e que neste momento encontra-se numa "fase de transição".
Sobre a assunção dessas e outras atitudes supostamente ilegais, Bernardino Gonçalves respondeu que a imprensa “não é lugar” de expor a situação “familiar” da associação e que os estatutos e as questões têm locais adequados para serem discutidos.
“O que nós podemos dizer é que a associação tem os seus órgãos, conselho de administração, uma direcção em transição e nós temos fortes compromissos com o Estado de Cabo Verde que coloca recursos e nós prestamos contas para o Ministério da Família”, reiterou.
LT/CP
Inforpress/Fim
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