
Lisboa, 16 Fev (Inforpress) - O artista cabo-verdiano Kiki Lima inaugurou, este sábado, uma exposição no Centro Cultural de Cabo Verde (CCCV), em Lisboa, destacando pela sua abordagem participativa na montagem do evento e celebração da cabo-verdianidade.
A exposição “Do chão das ilhas ao som da alma”, composta por 15 obras, de acordo com Kiki Lima, em declarações à Inforpress, no final da inauguração que aconteceu na tarde/noite deste sábado, 15, resulta de uma iniciativa do CCCV, que assumiu a curadoria e organização da exposição.
De acordo com o artista, o tema central das obras expostas é a “cabo-verdianidade” expressa através de elementos do quotidiano, da dança, da música e da figura feminina, especialmente das “vendedeiras”.
“Há todo um ambiente, que prefiro chamar de ambiência, que pode ser localizado tanto em Cabo Verde como em qualquer outra parte do mundo, reafirmando a internacionalização do cabo-verdiano”, sublinhou Kiki Lima.
Para o artista, essa abordagem permitiu uma interação mais ampla com o público e os organizadores, enriquecendo a experiência da exposição.
“É uma forma de permitir a participação de outras pessoas na obra, o que também a enriquece (…). Não fui eu que tratei da produção. Foi o centro cultural, e eu procurei intervir o menos possível. Limitei-me a produzir as obras e deixei que eles interpretassem a forma de montagem e exposição”, explicou Kiki Lima.
A exposição, que é “um tributo à identidade e expressão cultural do arquipélago”, apresenta um conjunto de obras que reflectem, conforme a curadoria da exposição, a vivência insular, a relação do povo cabo-verdiano com a sua terra e a riqueza cultural expressa na música, na dança e no quotidiano.
De acordo com a mesma fonte, dividida em três núcleos, a exposição propõe uma imersão na obra de Kiki Lima, sendo que o primeiro núcleo destaca cenas do dia a dia, como a faina do mar, os mercados tradicionais, a força da mulher cabo-verdiana e a espontaneidade da infância.
O segundo núcleo apresenta uma instalação de peças de digigrafia, produzida em colaboração com o Centro Português de Serigrafia (CPS), homenageando a trajectória do artista e o terceiro núcleo, exibe a tela “Bói Popular”, criada em 2021, acompanhada de um vídeo que documenta o processo criativo da obra.
“Com um estilo que funde impressionismo e expressionismo, Kiki Lima destaca-se pelo uso de cores vibrantes e pinceladas gestuais que captam o movimento e a musicalidade da cultura cabo-verdiana”, refere a curadoria.
Para além da pintura, o artista também se dedica à escultura, ao design e à música, tendo recebido diversas distinções ao longo da sua carreira, incluindo o 1.º Grau da Medalha de Mérito Cultural do Governo de Cabo Verde.
DR/JMV
Inforpress/Fim
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