São Vicente: Associação quer Estatuto de Investigador Científico em Cabo Verde

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São Vicente: Associação quer Estatuto de Investigador Científico em Cabo Verde
11/02/25 - 07:24 pm

Mindelo,11 Fev (Inforpress) - A Comissão Instaladora da Associação de Mulheres Cientistas de Cabo Verde quer que seja aprovado o Estatuto de Investigador Científico para regular a produção científica no País e promover uma investigação com “qualidade e relevância reconhecidas”.

Esta Informação foi avançada à Inforpress pelo membro da Comissão Instaladora da Associação de Mulheres Cientistas de Cabo Verde Sheila Mendes, a propósito do Dia Internacional de Mulheres e Meninas na Ciência que se celebra hoje. 

Segundo Sheila Mendes, que é também docente, investigadora e responsável financeira da Universidade do Mindelo (Uni-Mindelo), Cabo Verde ainda não possui um estatuto de investigador, mas a sua criação não só irá regular a produção científica e promover a qualidade, mas também ajudará a valorizar e dar reconhecimento à actividade de investigador científico e adaptando-a aos desafios modernos.

“Nós queremos trabalhar nisso, valorizando a mulher, porque já está na hora. Cabo Verde já possui muitos investigadores com graus de doutoramento. Isso é um desafio enorme, nós todos sabemos, mas temos que lutar para isso, porque se nós queremos investigação e conhecimento temos que fazer com que isso possa acontecer e trazer uma mais-valia para todas as universidades”, explicou a mesma fonte.

A docente e investigadora também considera ser necessário criar   uma verba anual no Orçamento do Estado direcionada à investigação científica em Cabo Verde.

“Nós não queremos dizer que seria uma verba só para as mulheres, mas para a investigação no geral, porque com a mulher beneficia, os filhos beneficiam, o marido, a família, todos beneficiam e o País também acaba por beneficiar”, sustentou.

O financiamento à ciência, segundo a mesma fonte, é um dos aspectos que tem causado apreensão nos investigadores, sobretudo agora com a recente remodelação governamental em que se retirou a figura de Secretária de Estado do Ensino Superior.

 

“Sabemos que a ciência começa dentro das universidades, então o Governo tem que tentar dar mais atenção ao ensino superior para que possamos nos sentir mais confiantes e avançar. Temos que ambicionar muito mais. Os projectos que recebemos para participar são, por exemplo, da União Europeia, das universidades em Portugal e de Espanha e outras. Por que não criar em Cabo Verde um projecto e convidar os outros investigadores das outras universidades”, sugeriu a mesma fonte.

 A Comissão Instaladora da Associação de Mulheres Cientistas de Cabo Verde foi criada em São Vicente em 2023 e conforme Sheila Mendes dentro em breve terá os seus estatutos aprovados.

A ideia, esclareceu, é ter na associação 70 por cento (%) de mulheres e 30% de homens, com representantes de todas as universidades do País. 

Isto porque, sublinhou, um dos objectivos é dar visibilidade ao trabalho das mulheres nas ciências e investigação científica, indo ao encontro da Declaração Universal dos Direitos Humanos no que se refere à promoção da igualdade de direitos e oportunidades entre homens e mulheres.

CD/JMV

Inforpress/Fim

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