Associação Kelém em Desenvolvimento denuncia abandono da Escola Central de Achada Santo António

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Associação Kelém em Desenvolvimento denuncia abandono da Escola Central de Achada Santo António
06/02/25 - 06:27 pm

Cidade da Praia, 06 Fev (Inforpress) –  O presidente da Associação Kelém em Desenvolvimento, Gerson Pereira, denunciou hoje a situação de abandono e descaso por parte da direcção do agrupamento responsável pela Escola Primária de Achada Santo António, conhecida como “Escola Grande”.

Gerson Pereira avançou à Inforpress que a escola funciona há anos em péssimas condições, com janelas removidas sem cortinas, vidros partidos, portas quebradas e com fechaduras encravadas, armários arrombados e tectos com risco de desabamento.

Pai de uma das crianças que estuda no local disse que, segundo a filha, a escola tem fornecido refeições tardias e muitas vezes na hora da saída dos alunos, com a explicação de que a “refeição demorou a chegar”.

Embora o estabelecimento conte com um espaço de cozinha equipada, realçou que numa reunião convocada pela escola, os pais foram informados que as refeições têm sido preparadas em outras escolas devido à falta de um redutor para a garrafa de gás ou outras vezes, à falta de água.

Gerson Pereira disse que pelo facto de o almoço ser transportado de “táxi” e sem as condições conhecidas, ameaça a saúde das crianças.

“Imagine quantos redutores e botijas de gás pode-se comprar com o dinheiro do táxi”, questionou, denunciando ainda que recentemente um veículo derrubou uma das paredes da vedação e quebrou os tubos que só vieram a ser reparados meses depois.

O problema da falta de água, apontou, obriga os alunos a utilizarem a casa de banho sem as mínimas condições, enaltecendo, por outro lado, que os responsáveis pela limpeza têm feito um trabalho meritório para manter os locais limpos mesmo sem o líquido essencial.

Segundo Gerson Pereira, a escola não possui uma impressora, um equipamento fundamental para o estudo e avaliação diária dos alunos, forçando os professores a deslocar-se a uma gráfica ou outras escolas, como o caso da Escola Secundária Pedro Gomes, para obter a cópia.

Uma preocupação, realçou, que já foi colocada pelos docentes e a direcção da escola ao agrupamento, tendo sido respondido que “há procedimentos e burocracias” que devem ser seguidos, sem ver a situação resolvida.

“Por exemplo, sobre a questão das cópias, na última reunião propomos um acordo entre a professora e uma gráfica que fica perto da escola para que os pais possam pagar as cópias dos seus filhos”, salientou, afirmando que não é permitido aos docentes recolher dinheiro do país para efeito de pagamento.

“A professora disse que iria avaliar junto à direção, mas caso fosse feito teria que partir dos pais porque ela não poderia fazê-lo”, corroborou.

Contactada pela inforpress para se pronunciar sobre a queixa, Jaquelina Mendes, responsável da Escola Básica Nova Presidência e da Escola Central, ambas situadas em Achada Santo António, garantiu que a direcção já está a par da situação e que os problemas estão em vias de ser resolvidos..

Segundo a responsável, por causa das chuvas, o tecto da escola danificou-se, assegurando que não apresentam indícios de desabamento e que quanto às vidraças, elas foram retiradas para serem colocadas no lugar.

Devido ao acidente que aconteceu à noite e que arrebentou o tubo de água e a ligação do gás no local, esclareceu que neste momento a escola apenas aguarda a empresa Enacol para restabelecer a ligação.

“Eu como responsável tenho estado a carregar a água da minha casa e a levar para a escola para desenrascar nestes dias, e a senhora da limpeza também anda a apanhar água da Escola Secundária Cesaltina Ramos”, frisou, acentuando que a situação não depende exclusivamente da direcção do agrupamento.

Explicou que o transporte da refeição é feito respeitando as regras de higiene e que todo preparo é realizado na Escola Básica Nova Presidência, afastando o risco de contaminação.

Quanto à impressora, revelou que a direcção da Escola Básica Eugénio Tavares adquiriu recentemente um novo equipamento e que os docentes são livres para fazerem a cópia em um horário contrário ao do funcionamento das salas de aula.

“Os professores trabalham um período, têm o período contrário para preparar os materiais para o dia seguinte e fazer o trabalho.  Há uma semana que eu estou atrás da ADS para resolver o problema da água e hoje eles foram lá”, disse.

LT/JMV

Inforpress/Fim

 

 

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