Uni-CV apresenta na quinta-feira dados preliminares do estudo sobre mutilação genital feminina em Cabo Verde

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Uni-CV apresenta na quinta-feira dados preliminares do estudo sobre mutilação genital feminina em Cabo Verde
05/02/25 - 02:41 pm

Cidade da Praia, 05 Fev (Inforpress) – A Universidade de Cabo Verde (Uni-CV) apresenta na quinta-feira, 06, os dados preliminares do primeiro estudo sobre a mutilação genital feminina em Cabo Verde, realizado no âmbito do projecto “Conhecer e capacitar para melhor intervir”.

O projecto, segundo avançou à Inforpress a professora e investigadora desta universidade pública Deisa Semedo, visa criar mecanismos para possibilitar intervenção mais eficaz a nível nacional face a esta problemática.

“Embora Cabo Verde não seja um país onde a prática é enraizada culturalmente, somos um país de portas abertas que recebe muitos imigrantes de toda a zona africana e muitos deles têm esta prática”, justificou.

Deisa Semedo explicou que o projecto envolve três instituições, como a Uni-CV, através do Centro de Investigação do Género e Família (CIGEF) e a Alta Autoridade para a Imigração (AAI), contando com o financiamento do Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA, na sigla em inglês).

“Estamos a trabalhar com grupos de profissionais de saúde, associações de imigrantes, instituições nacionais em Cabo Verde que trabalham com imigrantes, mulheres sobreviventes à prática e maridos ou mulheres de imigrantes”, sublinhou.

Sem avançar pormenores, tendo em conta que os dados preliminares serão apresentados esta quinta-feira, Deisa Semedo afirmou que os resultados têm contribuído para ajudar a organizar as recomendações para melhorar a questão de acesso a informação, e também para que haja políticas púbicas relacionadas a Mutilação Genital Feminina (MGF).

“Na questão de mulheres sobreviventes, por exemplo, sabendo que é uma coisa que faz parte da cultura das suas comunidades, muitas não veem a mutilação genital feminino como violência, mas como algo natural”, realçou.

“Então, os dados mostram que é preciso um trabalho para lhes convencer que isto não é natural, embora justificado por questões culturais nos países de origem, porque não traz nenhum tipo de benefício para mulheres”, acrescentou.

O ateliê de apresentação dos dados preliminares, conforme a investigadora, terá um segundo momento, com diálogo entre instituições como a Direcção Nacional da Saúde, o Instituto Cabo-verdiano para a Igualdade e Equidade de Género e a Procuradoria Geral da República.

Celebra-se anualmente a 06 de Fevereiro, o Dia Internacional da Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina, com o objectivo de sensibilizar a sociedade civil para a erradicação desta prática, que lesa a saúde física e psicológica de várias mulheres, raparigas e meninas em todo mundo.

ET/CP

Inforpress/Fim

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