Ministro defende reforma do ensino para aproximar escola do mundo do trabalho e do saber fazer

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Ministro defende reforma do ensino para aproximar escola do mundo do trabalho e do saber fazer
06/11/26 - 01:29 pm

Cidade da Praia, 06 Nov (Inforpress) – O ministro da Educação, Arnaldo Brito, sublinhou hoje a urgência de passar de um modelo focado no acesso escolar para um modelo assente na qualidade, apontando que o país exige uma mudança profunda e estruturante.

Ao proferir uma aula magna dirigida a homens e mulheres das Forças Armadas, o governante apelou à assunção das responsabilidades nacionais e à definição de novas ambições para o sector educativo, 50 anos depois da independência de Cabo Verde.

Para Arnaldo Brito, o desafio passa por construir “uma educação que realmente serve o país”, capaz de preparar os cidadãos para responder aos principais desafios nacionais.

“Cinquenta anos depois, a responsabilidade é nossa e, por isso, temos de mudar”, afirmou, defendendo uma transformação que ultrapasse a preocupação com o acesso à escola e coloque a qualidade da aprendizagem no centro das políticas educativas.

Entre os problemas identificados, o ministro apontou a reduzida capacidade produtiva de Cabo Verde, que, segundo indicou, produz actualmente apenas cerca de 17% daquilo que consome, situação que considera reflectir as limitações económicas e estruturais do país, com consequências nos fluxos logísticos marítimos.

O governante manifestou igualmente preocupação com a evolução dos comportamentos sociais e cívicos, apesar de reconhecer que praticamente todas as crianças, adolescentes e jovens estão integrados no sistema de ensino.

“Fica-se com a sensação de que estamos a degradar-nos em termos de comportamentos, de moral, da ética, do saber ser e do saber estar. Há uma degradação visível”, alertou, considerando que esta realidade reforça a necessidade de uma reforma estruturante da educação.

Nesse sentido, anunciou o empenho do Governo na transformação do sistema de ensino, defendendo uma abordagem pedagógica mais prática, flexível e orientada para a experimentação.

“Precisamos de transformar as salas de aula em verdadeiros laboratórios de experimentação, onde o erro seja visto como parte do processo de aprendizagem e não como um motivo de punição”, afirmou, sublinhando a importância de reforçar o ensino técnico e a formação prática.

Arnaldo Brito considerou ainda que não basta garantir a presença física dos alunos nas escolas, sendo necessário assegurar aprendizagens que os preparem para os desafios da vida e do mercado de trabalho.

“Cumprir o artigo 78.º da Constituição significa assegurar uma educação de qualidade que emancipe o cidadão e o prepare para a vida real e para o emprego”, enfatizou.

O ministro alertou também que a rigidez e a falta de flexibilidade no ambiente escolar podem contribuir para o abandono precoce e limitar o desenvolvimento do espírito crítico, da criatividade e da capacidade de inovação dos alunos.

Na sua perspectiva, a transformação da escola deve ser encarada não apenas como uma reforma do sector educativo, mas também como uma questão estratégica de soberania nacional, com implicações para as Forças Armadas, a segurança pública e a sustentabilidade do desenvolvimento socioeconómico de Cabo Verde.

PC/JMV

Inforpress/fim

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