São Vicente/Tartarugas: Campanha de protecção regista 86 ninhos e liberta mais de mil crias

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São Vicente/Tartarugas: Campanha de protecção regista 86 ninhos e liberta mais de mil crias
02/11/26 - 12:36 pm

Mindelo, 02 Nov (Inforpress) – A campanha de protecção de tartarugas marinhas da Ponta d’Pom registou este ano 86 ninhos e 184 rastos nas praias, em São Vicente, além de ter contribuído para a libertação de mais de mil tartaruguinhas.

Dados avançados à Inforpress pela bióloga responsável pela campanha da Organização Não Governamental (ONG), Zuleica Duarte, que fez um balanço globalmente positivo da temporada e considerou os resultados encorajadores, apesar de algumas situações preocupantes relacionadas com a segurança dos animais e as limitações de recursos para a monitorização.

Segundo a responsável, na Praia Grande foram contabilizados 63 ninhos e 133 rastos, enquanto na Praia do Lazareto se registaram 23 ninhos e 51 rastos.

A bióloga esclareceu, contudo, que os rastos não correspondem necessariamente a tartarugas diferentes, uma vez que o mesmo animal pode visitar a praia várias vezes durante a época.

Ao longo da campanha, a equipa trabalhou com 26 tartarugas marinhas, das quais 21 foram marcadas pela primeira vez e cinco correspondiam a recapturas, permitindo acompanhar os indivíduos e compreender melhor a utilização das praias para a reprodução.

Um dos resultados mais gratificantes, segundo Zuleica Duarte, foi a libertação de mais de mil crias para o mar.

“Cada cria que chega ao oceano representa uma nova oportunidade para a continuidade da espécie e dá ainda mais sentido ao trabalho realizado pelos nossos colaboradores”, sublinhou.

Apesar dos resultados positivos, a campanha ficou também marcada por situações de mortalidade e suspeitas de captura de tartarugas.

Na Praia Grande foi encontrada uma tartaruga morta na sequência de um ataque de cães, enquanto no Lazareto foram identificados indícios de cinco possíveis casos de captura, através de rastos de subida sem os correspondentes rastos de descida.

Na mesma praia foram ainda encontradas duas tartarugas mortas, com sinais de maus-tratos e abandonadas no local.

“Estas situações preocupam-nos profundamente, porque demonstram que as tartarugas marinhas continuam a enfrentar ameaças que resultam, directa ou indirectamente, da acção humana”, alertou a bióloga, que colocou acento tónico no reforço da sensibilização das comunidades, da vigilância das praias e da colaboração das autoridades e dos cidadãos.

Zuleica Duarte considerou, por outro lado, que houve um aumento significativo da actividade de nidificação em relação à temporada anterior, marcada pela passagem da tempestade Erin, que condicionou os trabalhos e impediu a realização de patrulhas diárias durante todo o período previsto.

“É possível que tenham existido mais ninhos do que aqueles que conseguimos registar”, observou.

Para a bióloga, os resultados da campanha reforçam a importância de dar continuidade ao trabalho de conservação ao longo de todo o ano, envolvendo cada vez mais as comunidades na protecção das tartarugas marinhas e do património natural de São Vicente.

LN/JMV

Inforpress/Fim

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