
Cidade da Praia, 29 Out (Inforpress) – A hipertensão arterial, presente em 76 % dos doentes analisados num estudo do Hospital Agostinho Neto, é o principal factor de risco para o AVC em Cabo Verde, onde a doença continua a provocar mortes e incapacidades.
O estudo epidemiológico-hospitalar, apresentado por ocasião do Dia Mundial do Acidente Vascular Cerebral (AVC), assinalado a 29 de Outubro, analisou 181 doentes e identificou um elevado número de casos, incluindo episódios recorrentes, apesar de a maioria dos AVC poder ser prevenida através do controlo dos factores de risco.
Os dados revelam que os homens representam 57% dos casos analisados e que a idade média dos doentes é de 64 anos. Cerca de 15% dos pacientes tinham menos de 50 anos, evidenciando o impacto da doença entre pessoas em idade ativa.
“A investigação confirmou que a hipertensão arterial é o principal factor de risco em Cabo Verde, estando presente em 76% dos doentes estudados”, afirmou a especialista e coordenadora da Unidade de Neurologia do Hospital Agostinho Neto (HAN), Albertina Lima.
Segundo a médica, a diabetes, identificada em 24% dos pacientes, constitui outra das principais comorbilidades associadas à doença.
O estudo identificou ainda problemas cardíacos, nomeadamente arritmias, com destaque para a fibrilação auricular, uma alteração do ritmo cardíaco associada a um risco acrescido de AVC.
O AVC hemorrágico, provocado pela ruptura de um vaso sanguíneo, representa 25% dos casos analisados e está associado a um prognóstico mais reservado.
Segundo os dados apresentados, a mortalidade entre estes doentes é elevada, o que reforça a necessidade de uma intervenção médica imediata.
A recorrência da doença constitui outra preocupação, uma vez que 20% dos pacientes analisados sofreram um segundo AVC.
De acordo com Albertina Lima, a repetição dos episódios está relacionada, em parte, com o controlo inadequado dos factores de risco após a alta hospitalar, nomeadamente o abandono da medicação, uma alimentação rica em sal e a falta de actividade física.
Para melhorar o reconhecimento dos sinais de alerta, as autoridades de saúde estão a divulgar, nos centros de saúde e através de suportes publicitários, a regra dos “Três F”: face, fala e força.
A face refere-se à assimetria ou queda de um dos lados do rosto; a fala, à dificuldade em falar; e a força, à perda de força num dos braços.
Perante qualquer um destes sinais, a recomendação médica é procurar imediatamente assistência hospitalar, uma vez que a rapidez no atendimento é determinante para reduzir o risco de sequelas e de morte.
Os especialistas alertam que cada minuto sem fluxo sanguíneo cerebral pode provocar a perda de cerca de dois milhões de neurónios.
“Há uma janela crítica de apenas quatro horas e meia para realizar o tratamento eficaz do AVC isquémico. Após este período, o coágulo solidifica-se e a medicação perde o efeito”, explicou Albertina Lima.
A especialista apelou ainda à população para evitar práticas caseiras, como esfregar perfume ou administrar chás e álcool às pessoas com suspeita de AVC, e privilegiar o transporte imediato para uma unidade hospitalar, de forma a prevenir sequelas permanentes ou a morte.
PC/JMV
Inforpress/Fim
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