
Ribeira Grande, 21 Out (Inforpress) – Especialistas de Cabo Verde e de Portugal abordaram hoje, na Ribeira Grande, em Santo Antão, a perturbação do espectro do autismo, numa conferência destinada a profissionais de diferentes sectores, pais e encarregados de educação.
A iniciativa, que contou com dois painéis temáticos, enquadra-se nas actividades de uma missão médica constituída por três neuropediatras que se encontram em Santo Antão para realizar consultas e promover a formação de equipas multidisciplinares na ilha.
Durante cerca de três horas, professores, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, médicos, pais e encarregados de educação participaram na conferência, realizada na Residência Estudantil da Ribeira Grande.
No primeiro painel, a neuropediatra cabo-verdiana Stephanie Monteiro, que trabalha no Hospital Batista de Sousa, em São Vicente, abordou as perturbações do neurodesenvolvimento e os principais diagnósticos.
A especialista apresentou alguns sinais de alerta que as crianças podem manifestar e destacou a importância da partilha de experiências e da interacção com os participantes.
“Mostrou-se aqui que é um tema em que toda a comunidade está interessada, porque vamos tendo mais casos diagnosticados e vai-se tendo mais interesse”, afirmou.
Segundo Stephanie Monteiro, existe uma grande diversidade de manifestações da perturbação do espectro do autismo, com diferentes níveis e características, pelo que, apesar de algumas semelhanças, “os autistas não são todos iguais”.
As neuropediatras portuguesas Ana Isabel e Teresa Temudo, que acumulam vários anos de experiência em missões médicas em Cabo Verde, também participaram na conferência.
Teresa Temudo abordou os sinais de alerta, o diagnóstico, a investigação e a intervenção na perturbação do espectro do autismo.
A especialista alertou para as dificuldades no acompanhamento de crianças com patologias neurológicas, incluindo as que apresentam perturbações do espectro do autismo, devido à escassez de especialistas no país.
Segundo a neuropediatra, muitas destas crianças “estão a ser insuficientemente acompanhadas, diagnosticadas e sobretudo mal acompanhadas”.
A missão médica, constituída por três profissionais, termina esta quinta-feira na Ribeira Grande, após quatro dias de consultas destinadas a crianças da ilha, numa iniciativa promovida pela Região Sanitária de Santo Antão (RSSA).
EL/JMV
Inforpress/Fim
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