
Cidade da Praia, 15 Out (Inforpress) – A directora artística e curadora do Kafuka African Film Festival, Natasha Craveiro, afirmou hoje que o festival pretende facilitar o acesso do público cabo-verdiano às cinematografias africanas, promovendo contacto com obras, realizadores e profissionais do sector audiovisual do continente.
Em declarações à Inforpress, à margem da abertura da segunda edição do festival, Natasha Craveiro considerou que a realização de cada edição representa um avanço, tendo em conta o acesso limitado do público cabo-verdiano ao cinema africano.
Segundo a responsável, apesar da facilidade de acesso a produções internacionais, nomeadamente ao cinema de Hollywood, as obras africanas continuam a ter pouca circulação em Cabo Verde, situação que o Kafuka procura contrariar através da exibição de filmes e da promoção de encontros entre profissionais do sector.
“Cada ano que consigamos fazer o Kafuka é uma evolução”, afirmou, acrescentando que o festival se propõe a ser um veículo de acesso às cinematografias africanas no país.
A mesma explicou que a programação vai além da exibição de filmes, incluindo masterclasses, workshops, conversas abertas e rodas de conversa, com a participação de cerca de 10 mentores e realizadores, com o objectivo de promover a partilha de experiências e o desenvolvimento do sector cinematográfico e audiovisual cabo-verdiano.
Natasha Craveiro vincou igualmente a importância da presença de produções nacionais na programação, referindo os trabalhos de realizadores cabo-verdianos como Josiana Cardoso, Nuno Miranda e Elson Santos, além de filmes de animação em stop-motion destinados ao público mais jovem, no âmbito do Cafoquinha.
A curadora considerou que a selecção de filmes pode também incentivar novos criadores a desenvolver os seus próprios projectos, mesmo perante limitações financeiras e técnicas.
“Eu consigo fazer um curta interessante mesmo sem ter muitas condições técnicas ou financeiras”, exemplificou, referindo-se à inspiração que determinadas obras podem proporcionar aos jovens interessados em realizar cinema.
Ainda assim, salientou que a presença de realizadores e mentores internacionais permite criar redes de contacto entre profissionais e facilitar o acesso a pessoas e estruturas que possam contribuir para o desenvolvimento do ecossistema audiovisual cabo-verdiano.
Sobre a escolha do nome Kafuka, Craveiro explicou que a designação remete para um utensílio tradicional utilizado para iluminar, estabelecendo uma ligação simbólica com a luz no cinema e com o propósito de dar maior visibilidade às cinematografias africanas.
Questionada sobre a ausência de representantes do Governo ligados à área da cultura na cerimónia de abertura, a directora artística afirmou que as autoridades foram convidadas, mas disse não dispor de informações que permitissem explicar a sua ausência.
Natasha Craveiro reconheceu, contudo, que o que classificou como descaso constitui um dos desafios para a organização, considerando a situação desanimadora.
A segunda edição do Kafuka African Film Festival decorre de 15 a 18 de Outubro, na Praia, com 62 filmes de 16 países africanos e da diáspora, numa programação que celebra o pensamento e o legado de Amílcar Cabral.
KA/JMV
Inforpress/Fim
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