
Calheta, 15 Out (Inforpress) – A Escola Básica Velhinho Rodrigues, em São Miguel, assinalou hoje o Dia Mundial da Bengala Branca com uma acção sensorial que desafiou a comunidade educativa a experimentar dificuldades de mobilidade e reflectir sobre a inclusão.
A informação foi avançada à Inforpress pela coordenadora da Equipa Multidisciplinar de Apoio à Educação Inclusiva (EMAEI) de São Miguel, Constantina Monteiro, que destacou a importância de sensibilizar a comunidade para a realidade das pessoas cegas ou com baixa visão.
Sob o lema “Ver o Mundo com Outros Sentidos”, a iniciativa foi promovida pela EMAEI da Delegação de Educação de São Miguel, com o propósito de valorizar a autonomia, a independência e a dignidade das pessoas com deficiência visual, através de experiências práticas de sensibilização.
Durante a actividade, alunos, professores, membros da direcção e pessoal de apoio operacional participaram em percursos com os olhos vendados, utilizando a bengala branca e explorando diferentes texturas no solo. Foram igualmente realizadas dinâmicas de reconhecimento de objectos e pessoas através do tacto, assim como exercícios de orientação espacial com recurso a sons do quotidiano.
Segundo Constantina Monteiro, a comunidade educativa participou com entusiasmo e empatia, colocando-se simbolicamente no lugar do outro e procurando compreender alguns dos desafios enfrentados diariamente pelas pessoas com deficiência visual.
A responsável realçou ainda o percurso de dois alunos cegos e de uma aluna com baixa visão, todos actualmente no ensino superior, que foram acolhidos pela comunidade educativa de São Miguel ao longo da sua formação escolar.
Apesar dos obstáculos relacionados com a acessibilidade, os três estudantes conseguiram prosseguir os estudos, um percurso que, segundo a coordenadora, demonstra a importância do acompanhamento educativo e do compromisso colectivo com a igualdade de oportunidades.
Constantina Monteiro salientou que, embora a bengala branca represente autonomia e liberdade de movimentos, a inclusão das pessoas com deficiência visual exige mais do que um instrumento de orientação.
Em Cabo Verde, persistem desafios relacionados com a acessibilidade nas escolas, ruas, passeios, edifícios públicos e transportes.
Segundo a mesma fonte, garantir uma participação plena implica eliminar barreiras físicas, melhorar as condições de mobilidade e sensibilizar a sociedade para os direitos das pessoas com deficiência.
A inclusão constrói-se diariamente, através de atitudes concretas, do respeito e da garantia de oportunidades iguais para todos.
MC/JMV
Inforpress/Fim
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