
Lisboa, 14 Out (Inforpress) – O artista plástico cabo-verdiano Amadeo Carvalho, radicado em Londres, estreia-se em Paris com uma exposição individual na AKAA – Also Known As Africa, feira internacional de arte contemporânea que decorre de 23 a 25 de Outubro.
Intitulada “Fragments d’identité – Circulations lusophones, géographies sensibles”, a exposição reúne obras inéditas da série “Retratos de Ausência” (2025-2026), numa apresentação com curadoria da Casa Vicência, dedicada à memória, à identidade e às circulações lusófonas.
Segundo uma nota de imprensa, a mostra integra a programação da AKAA 2026, que terá lugar no Carreau du Temple, na capital francesa, e representa um novo momento no percurso internacional do artista, natural de São Vicente.
Nesta exposição, Amadeo Carvalho apresenta uma prática artística caracterizada pela construção de superfícies em camadas e pela utilização de diferentes materiais, incluindo pigmentos vulcânicos provenientes das ilhas do Fogo, de Santiago e de São Vicente, recolhidos pelo próprio artista e utilizados em várias obras.
A utilização destes materiais assume um papel central numa obra que convoca a memória e a identidade como territórios em permanente transformação.
“A matéria é uma parte central do meu processo. […] Tenho trabalhado com pigmentos vulcânicos, criando superfícies que são moldadas, pressionadas e escavadas. Esse gesto interessa-me porque aproxima a pintura de uma procura. Não sinto que esteja simplesmente a construir uma imagem; sinto que estou a abrir caminho para que algo apareça”, explicou o artista, citado na nota.
A participação de Amadeo Carvalho na AKAA marca o primeiro projecto público da Casa Vicência, plataforma curatorial fundada em Paris por Émilie Silva e dedicada à arte contemporânea dos espaços lusófonos.
Segundo a mesma fonte, a plataforma procura estabelecer ligações entre África, a Europa e as respectivas diásporas, promovendo novas formas de circulação e diálogo em torno da criação artística contemporânea.
Com uma área de 16 metros quadrados, o stand foi concebido como um percurso curatorial contínuo, distribuído por quatro paredes, estabelecendo relações entre 50 obras e proporcionando uma experiência de leitura progressiva do universo artístico de Amadeo Carvalho.
A presença na AKAA surge na sequência de outras experiências internacionais relevantes para o percurso do artista, entre as quais a participação na FNB Art Joburg, na África do Sul, em 2026, com a galeria THIS IS NOT A WHITE CUBE, e uma residência artística na Pacific Northwest College of Art (PNCA), em Portland, nos Estados Unidos da América.
O artista tem igualmente apresentado a sua obra em Cabo Verde, Portugal e noutros contextos internacionais, tendo sido distinguido, em 2024, na Powerlist100 da Bantumen, que destaca figuras negras influentes do mundo lusófono.
Radicado em Londres, Amadeo Carvalho desenvolve uma prática artística que dialoga com a memória, a identidade e a experiência diaspórica cabo-verdianas, situando-as no contexto mais amplo da arte contemporânea internacional.
FM/JMV
Inforpress/Fim
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