
Cidade da Praia, 14 Out (Inforpress) – O documentário “Morada di Sodadi”, que retrata a história da emigração cabo-verdiana e o percurso das comunidades nacionais na diáspora, estreou-se hoje na cidade da Praia, no âmbito das comemorações do Dia Nacional da Cultura e das Comunidades.
Produzido por Pedro Soulé e realizado por Nuno Miranda, a convite da Organização Internacional para as Migrações (OIM), o filme pretende contribuir para a preservação da memória migratória e valorizar o papel dos emigrantes na construção da identidade e no desenvolvimento de Cabo Verde.
Em declarações à imprensa, o produtor Pedro Soulé considerou que a obra constitui um documento histórico para o país, por preencher uma lacuna na representação audiovisual da emigração cabo-verdiana, apesar da existência de estudos académicos e de obras literárias e musicais sobre o fenómeno.
O produtor explicou que limitações financeiras e logísticas impediram a equipa de filmar em todos os destinos com presença cabo-verdiana, nomeadamente no Senegal, na Argentina e no Brasil.
Ainda assim, manifestou confiança de que o documentário consegue transmitir a dimensão histórica e humana da emigração cabo-verdiana.
A produção contou com o financiamento e o apoio da OIM, bem como com o envolvimento do Ministério dos Negócios Estrangeiros e das Comunidades e de outros parceiros institucionais, incluindo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).
Pedro Soulé avançou que a versão apresentada na estreia tem uma duração reduzida e que a equipa pretende concluir uma edição mais longa, entre 68 e 80 minutos, com vista, entre outros objetivos, à participação em festivais internacionais de cinema.
Está igualmente prevista a disponibilização da obra numa plataforma digital, bem como a sua exibição nas diferentes ilhas do arquipélago e em comunidades da diáspora, sobretudo em Portugal, nos Estados Unidos e nos Países Baixos.
Por sua vez, o realizador Nuno Miranda explicou que a versão estreada tem 32 minutos, considerando que um dos principais desafios foi condensar a história da emigração cabo-verdiana num período tão curto.
Segundo o realizador, a narrativa acompanha as travessias atlânticas e as experiências migratórias das comunidades cabo-verdianas nos Estados Unidos, nos Países Baixos, em Portugal e em São Tomé e Príncipe, abordando também o regresso de emigrantes ao país de origem.
A saudade, evocada no título inspirado numa música histórica cabo-verdiana, constitui o fio condutor do documentário, que aborda o afastamento da terra natal, os sacrifícios das gerações anteriores e a procura de melhores condições de vida.
Nuno Miranda defendeu ainda a importância de dar a conhecer às novas gerações a dimensão global de Cabo Verde, sublinhando que as comunidades emigradas constituem uma “parte fundamental da identidade nacional”.
Com esta produção, a equipa pretende reforçar os laços entre os cabo-verdianos residentes no país e no exterior, ao mesmo tempo que promove o cinema nacional e incentiva a realização de novas obras sobre a história e a sociedade cabo-verdianas.
O evento contou com a presença do primeiro-ministro, Francisco Carvalho, do ministro da Cultura, António Augusto Duarte, de cineastas e de outras autoridades nacionais e parceiros institucionais.
DG/JMV
Inforpress/Fim
Partilhar