Zelensky diz a Trump que são os ucranianos que escolhem o líder

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Zelensky diz a Trump que são os ucranianos que escolhem o líder
11/10/26 - 03:48 pm

Redação, 11 Out (Inforpress) – O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, disse hoje em entrevista à cadeia televisiva norte-americana ABC que são os ucranianos que escolhem quem os lidera, respondendo ao apelo do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para a sua substituição.

“Com todo o respeito pelo Presidente Trump, é a nossa sociedade, o nosso povo, que escolhe quem é o líder”, declarou Zelensky na entrevista.

Trump tinha sugerido no sábado que o povo ucraniano arranjasse “um novo Presidente”, após os ataques ucranianos a refinarias russas no sábado, na sequência de um acordo assinado na sexta-feira entre Washington e Moscovo para o fornecimento de gasóleo russo aos norte-americanos.

Na mesma entrevista, Zelensky reiterou o apelo a um cessar-fogo de 60 dias com a Rússia: “E aí teremos eleições”, afirmou.

“Estaremos prontos para aceitar qualquer escolha do nosso povo”, acrescentou.

No sábado, Donald Trump defendeu que chegou a altura de a Ucrânia ter um novo chefe de Estado, sugerindo que o atual não fez o suficiente para pôr fim à guerra com a Rússia.

“Sugiro que arranjem um novo líder, que consiga fazer um acordo”, afirmou durante um discurso na Casa Branca, citado pela agência Associated Press, acrescentando que “por alguma razão [Zelensky] nunca o faz”, num apelo aplaudido por Moscovo.

Zelensky admitiu uma “semana difícil” para o seu país, tendo contado 196 ataques aéreos russos contra infraestruturas energéticas da Ucrânia, e a morte de 153 civis.

O chefe de Estado ucraniano admitiu que continua a contar com “o compromisso de Trump e a sua equipa para parar Vladimir Putin”, líder da Rússia, que é “o principal desafio para pôr fim à guerra”.

Também hoje, Trump anunciou um “cessar-fogo energético na guerra entre a Rússia e a Ucrânia”, sem adiantar mais pormenores, pouco depois de Zelensky ter dito que está disposto a interromper os ataques contra refinarias da Rússia se Moscovo deixar de visar infraestruturas energéticas da Ucrânia.

O Presidente norte-americano negociou com Putin na sexta-feira um acordo para o fornecimento de gasóleo russo aos Estados Unidos e aos mercados internacionais.

Ataques russos mataram pelo menos 20 pessoas, entre as quais três crianças, em Zaporijia, no sudeste da Ucrânia, divulgaram no sábado autoridades ucranianas, um dia depois de o Presidente norte-americano ter anunciado um acordo para a compra de gasóleo russo que, de acordo com Kiev, ajudaria a financiar a guerra.

Também durante o dia de hoje, mísseis atingiram Kiev, tendo as autoridades ucranianas registado quatro feridos.

 

Os Estados Unidos autorizaram temporariamente, na sexta-feira, a venda, entrega, descarga e importação de gasóleo de fabrico russo, incluindo a sua entrada no mercado norte-americano, até 07 de abril de 2027, apesar das sanções impostas a Moscovo.

O Gabinete de Controlo de Ativos Estrangeiros (OFAC) mantém, no entanto, restrições aos pagamentos através de contas de três instituições financeiras estatais russas.

A medida foi justificada por Donald Trump como um esforço para conter a escalada de preços dos combustíveis desde o início da ofensiva israelo-americana contra o Irão, em 28 de fevereiro.

Zelensky considerou então que a Rússia “expressou a sua gratidão” a Washington pelo levantamento de sanções petrolíferas através de novos bombardeamentos contra o seu país, e a Ucrânia intensificou os ataques na Rússia, visando um terminal petrolífero na região de Rostov.

Os esforços diplomáticos sob mediação de Washington para pôr fim a mais de quatro anos de ofensiva russa na Ucrânia encontram-se atualmente num impasse.

O primeiro-ministro checo, Andrej Babis, qualificou hoje o acordo entre os Estados Unidos e a Rússia para comercializar gasóleo russo como uma “grande bofetada” para a União Europeia (UE).

Inforpress/Lusa/fim

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