Mais de 100 detidos em protestos contra cortes orçamentais em Bruxelas

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Mais de 100 detidos em protestos contra cortes orçamentais em Bruxelas
09/10/26 - 09:23 pm

Bruxelas, 09 out 2026 (Inforprsss) – A polícia deteve hoje em Bruxelas mais de uma centena de pessoas por participação em incidentes ocorridos durante os protestos convocados pelas principais organizações sindicais da Bélgica contra as políticas de cortes orçamentais do Governo.

As autoridades locais estimaram em 30.000 o número de participantes numa marcha que seguiu da Estação Central até à Estação de Midi, ao passo que o sindicato socialista FGTB indicou 50.000 pessoas.

Embora o cortejo tenha decorrido sem perturbações da ordem pública, registaram-se confrontos antes e depois do evento, sobretudo nos arredores da Estação Central e noutras zonas centrais da capital belga, maioritariamente protagonizados por jovens vestidos de preto e encapuzados ou com parte dos rostos cobertos.

Segundo um comunicado da polícia local, os agentes destacados foram alvo de arremesso de paralelepípedos, tijolos, garrafas de vidro e engenhos pirotécnicos por parte de “grupos de desordeiros”.

Também foram causados danos no mobiliário urbano e numa viatura policial e foram ateados incêndios a bicicletas e trotinetes de aluguer e a contentores do lixo.

Além disso, foram vandalizados quatro autocarros da rede de transportes regional STIB, empresa cujos trabalhadores participaram também hoje na greve interprofissional convocada pelos sindicatos.

A polícia procedeu a cerca de 30 detenções judiciais (pessoas formalmente detidas e investigadas por crimes específicos) e 80 detenções administrativas (efetuadas para conter distúrbios e com uma duração máxima de 12 horas).

Nas redes sociais, o ministro do Interior belga, Bernard Quintin, afirmou que “o Estado não se deixará impressionar” e advertiu de que a resposta policial e penal “estará sempre à altura dos danos causados”.

Estes protestos surgem em plena negociação do orçamento do Estado para 2027, numa altura em que o Governo do primeiro-ministro, Bart De Wever, procura cerca de 10 mil milhões de euros adicionais para as contas federais e precisa de definir as medidas num chamado “conclave orçamental”, uma negociação à porta fechada entre os líderes da coligação.

Trata-se da quarta manifestação nacional do ano, depois da de maio, e junta-se a uma onda de protestos contra a política governamental que incluiu uma greve de três dias em novembro passado.

A ela juntaram-se professores e alunos que protestam contra os cortes na educação da Federação Valónia-Bruxelas, governada pelo partido liberal MR e pelos conservadores do Les Engagés.

As mobilizações estudantis seguem o exemplo das da vizinha França — que são em maior escala —, embora na Bélgica tanto alunos como professores já venham desde há vários meses a protagonizar protestos pontuais em cidades francófonas.

Tais actos intensificaram-se na semana passada em Liège, provocando o encerramento de escolas e resultando em 194 detenções desde 01 de outubro.

Inforpress/fim

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