
Cidade da Praia, 06 (Inforpress) - A Sol-Atlântico regista actualmente um défice de cerca de 90 trabalhadores, sobretudo motoristas, situação que já deixou 30 autocarros parados, estando a empresa a recrutar condutores no país e no estrangeiro, revelou hoje o presidente do conselho de administração.
Henrique Duarte falava à imprensa após um encontro com o grupo parlamentar do MPD, na oposição , eleitos pelo Círculo Eleitoral de Santiago Sul, realizado hoje, na Praia, para analisar o impacto dos preços dos combustíveis na estrutura de custos da empresa.
Segundo o responsável, a empresa tem enfrentado, desde 2022, uma saída gradual de trabalhadores, com maior incidência entre os motoristas, tendo a situação se agravado a partir de 2025.
“Não temos falta de autocarros, temos falta de pessoal que pode operar”, esclareceu, indicando que a empresa passou de cerca de 180 colaboradores em 2020 para aproximadamente 170 actualmente, mas necessita de mais 90 trabalhadores para assegurar o normal funcionamento dos serviços.
O presidente do conselho de administração explicou que a Sol-Atlântico realizou processos de recrutamento entre 2022 e 2024 para compensar as saídas, mas que, desde 2025, tem encontrado maiores dificuldades em repor os efectivos.
Neste momento, a empresa tem cerca de 30 autocarros parados, sendo que a maioria se encontra operacional, enquanto alguns aguardam disponibilidade para reparação, precisou.
Face às dificuldades de recrutamento no mercado nacional, a Sol-Atlântico está a procurar motoristas em outros países africanos.
Henrique Duarte revelou que a empresa já identificou cerca de 30 potenciais condutores e mantém contactos com uma associação de países africanos sediada na Praia.
“Eles já estão cá todos. O problema é a espera dos documentos, dos processos de substituição das licenças”, explicou, acrescentando que três dos candidatos já se encontram na fase final de obtenção da documentação necessária para trabalhar.
O responsável adiantou que a entrada dos novos motoristas deverá ocorrer de forma gradual, à medida que forem concluídos os respectivos processos administrativos.
Relativamente aos salários, Henrique Duarte afirmou que a empresa considera estar a praticar valores ajustados à realidade nacional e indicou que os trabalhadores têm beneficiado de actualizações anuais na ordem dos três por cento.
Segundo o responsável, um trabalhador que entra na empresa aufere cerca de 34 mil escudos, enquanto os funcionários com maior antiguidade podem atingir remunerações de aproximadamente 50 mil escudos.
Quanto à questão dos preços dos combustíveis, Henrique Duarte afirmou que a empresa se encontra numa posição de expectativa, tendo em conta a recente entrada em funções do novo Governo.
“Estamos numa posição de expectativa”, disse, acrescentando que a empresa pretende avaliar melhor a situação até ao final do ano e, posteriormente, poderá solicitar uma reunião com o primeiro-ministro para conhecer as orientações do Governo para o sector.
O encontro entre a direcção da Sol-Atlântico e os deputados do MpD enquadra-se nos contactos que o grupo parlamentar tem realizado com operadores de transporte para analisar o impacto dos preços dos combustíveis nos custos das empresas e no funcionamento do transporte colectivo.
KA/JMV
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