Dia Mundial da Paralisia Cerebral: Acarinhar pede união para garantir inclusão e dignidade

Inicio | Sociedade
Dia Mundial da Paralisia Cerebral: Acarinhar pede união para garantir inclusão e dignidade
05/10/26 - 02:37 pm

Cidade da Praia, 05 Out (Inforpress) - A presidente da Acarinhar defendeu hoje maior união entre famílias, Estado, autarquias, ONG, empresas e sociedade civil para promover uma vida "mais digna e inclusiva" às pessoas com paralisia cerebral, destacando as barreiras físicas e sociais que ainda enfrentam.

Em declarações à Inforpress, por ocasião do Dia Mundial da Paralisia Cerebral, que se assinala hoje, Teresa Mascarenhas considerou que a data constitui uma oportunidade para chamar a atenção para a realidade das pessoas que vivem com esta condição e para os desafios enfrentados diariamente pelas famílias.

Segundo aquela responsável, muitas crianças e jovens com paralisia cerebral permanecem isolados em casa, devido à falta de condições de mobilidade, autonomia, segurança e acompanhamento adequado, situação que, no seu entender, exige respostas públicas estruturadas.

Entre as medidas apontadas estão a criação de centros de dia, a disponibilização de transportes adaptados, respostas educativas e terapêuticas, bem como o acesso a actividades culturais, desportivas e recreativas, casas adaptadas, com instalações sanitárias adequadas.

Teresa Mascarenhas identificou o preconceito como um dos principais obstáculos à inclusão, explicando que algumas pessoas com paralisia cerebral enfrentam dificuldades na comunicação verbal e, por isso, são "erradamente consideradas como tendo limitações intelectuais".

“Na maioria dos casos, as pessoas com paralisia cerebral, a nível mental, são normais. Excepto a parte do cérebro que foi afectada, as outras partes funcionam normalmente”, esclareceu.

A presidente da Acarinhar salientou que as dificuldades começam muitas vezes no acesso aos espaços públicos, devido à falta de acessibilidade adequada para pessoas que utilizam cadeiras de rodas, mas frisou que as barreiras físicas representam apenas uma parte do problema.

Para aquela responsável, mais difíceis de ultrapassar são as barreiras criadas pelo preconceito e pela falta de informação, que acabam por limitar o acesso à educação, saúde, cultura e actividades de lazer.

Neste contexto, reforçou a missão da Acarinhar de “dar voz aos que não têm voz” e defender os direitos das pessoas com paralisia cerebral.

Sob o lema deste ano “Únicos e Unidos”, a associação promoveu hoje na cidade da Praia, um conjunto de actividades para comemorar esta data, que reuniu crianças de jardins de infância, famílias, crianças e jovens com paralisia cerebral e amigos da organização, com iniciativas que incluíram música, pintura, dança, poesia e conversa aberta.

Teresa Mascarenhas explicou que o lema traduz a importância de reconhecer a singularidade de cada pessoa, mas também a força da união na construção de uma sociedade inclusiva.

“Nenhuma instituição sozinha consegue responder às demandas das pessoas com paralisia cerebral”, afirmou, apontando necessidades nas áreas da habitação, alimentação, transporte, saúde, educação e participação social.

Outro desafio apontado pela presidente da Acarinhar é a falta de dados actualizados sobre as pessoas com paralisia cerebral em Cabo Verde.

Segundo explicou, não existe um levantamento actualizado que permita determinar quantas pessoas vivem com esta condição, onde se encontram, os tipos de paralisia cerebral existentes e as principais necessidades de cada grupo no país.

Neste sentido, Teresa Mascarenhas citou que de acordo com os dados do censo de 2000, existiam cerca de 1.500 crianças com paralisia cerebral na cidade da Praia, estimando que actualmente existem cerca de 3.000 crianças e jovens com esta condição em Cabo Verde.

DG/ZS

Inforpress/Fim

Partilhar