
Cidade da Praia, 28 Set (Inforpress) - O presidente da Associação dos Taxistas da Praia, Adriano Monteiro, defendeu hoje a criação ou intervenção de uma entidade reguladora para ajustar as tarifas dos táxis à evolução dos preços dos combustíveis e proteger os profissionais do sector.
A posição foi expressa no final de um encontro com o Grupo Parlamentar do Movimento para a Democracia (MpD) que esteve a auscultar os taxistas sobre o impacto do aumento sucessivo dos preços dos combustíveis na actividade e no rendimento dos profissionais.
A principal preocupação manifestada no encontro foi, conforme Adriano Monteiro, a subida dos combustíveis, que, segundo afirmou, está a criar “muita complicação” e problemas no exercício da actividade.
O responsável acrescentou que a associação tem procurado desde a Agência de Regulação Multissectorial da Economia (ARME) como a Câmara Municipal da Praia para encontrar uma solução para a actualização das tarifas, mas recebeu das duas instituições a indicação de que não lhes competia regular os preços dos táxis.
“Sentimos prejudicados e acabamos por aumentar este preço, que não é preço oficial”, afirmou, explicando que o reajuste de 50 escudos foi feito pelos próprios profissionais após cerca de 25 anos sem actualização das tarifas.
O presidente da associação salientou que, legalmente, o preço oficial do serviço de táxi deve ser determinado através do taxímetro, equipamento que, segundo afirmou, deixou de ser utilizado desde 2005/2006.
“A nossa vontade é que o taxímetro volte a funcionar porque este sistema permitiria uma cobrança mais justa e transparente para passageiros e profissionais”, assegurou, sublinhando que uma regulação de acordo com a evolução dos combustíveis permitiria também responder de forma mais equilibrada aos aumentos de preços.
Perante a possibilidade de uma nova subida, apelou ao Governo para adoptar medidas, nomeadamente, a redução ou corte de impostos sobre os combustíveis.
Por seu lado, o líder parlamentar do MpD, Luís Carlos Silva, explicou que o encontro faz parte de uma ronda de auscultação que o grupo vem efetuando junto dos sectores afectados, com o objectivo de recolher informação sobre as suas preocupações, e procurar uma intervenção mais eficaz no debate parlamentar e, eventualmente, através de propostas a levar ao plenário.
Reforçou que o aumento dos combustíveis constitui uma preocupação para os sectores dos transportes e para as famílias, defendendo que o Governo deve adoptar medidas para mitigar o impacto.
Apontou, de entre as possibilidades, a suspensão do mecanismo automático de fixação de preços, a definição de um tecto máximo para os preços ou para os aumentos, e medidas fiscais sobre os combustíveis.
Luís Carlos Silva reiterou ainda que o Orçamento do Estado para 2026 prevê 1,7 milhões de escudos destinados à electricidade e às petrolíferas, sugerindo que esse valor deveria ser mobilizado para proteger os preços dos combustíveis e o poder de compra das famílias cabo-verdianas.
ET/JMV
Inforpress/Fim
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