
Ponta do Sol, 25 Set (Inforpress) – Moradores da cidade da Ponta do Sol reconheceram hoje melhorias na localidade, mas apontaram obras paradas, dificuldades na actividade piscatória, degradação da orla marítima e falta de condições para a prática desportiva entre os problemas ainda por resolver.
Em declarações à imprensa, o empreendedor Agnelo Pires afirmou que a cidade tem vindo a desenvolver-se ao nível das infra-estruturas, embora considere que persistem situações que exigem maior atenção das autoridades.
“Ponta do Sol, a nível das infra-estruturas, está a desenvolver-se bem, embora estejamos com problemas de mão-de-obra”, referiu, chamando a atenção para projectos lançados há vários meses que continuam parados.
Por se tratar de uma cidade com forte vocação turística, Agnelo Pires defendeu igualmente a criação de mais espaços verdes e uma maior atenção à imagem urbana da localidade.
As condições para o exercício da pesca constituem outra das preocupações manifestadas.
O pescador Jailson Brito classificou a actividade piscatória como “razoável”, mas alertou para as dificuldades enfrentadas pelos profissionais na zona de Boca de Pistola.
Segundo explicou, o espaço utilizado para colocar e retirar as embarcações do mar necessita de melhorias, uma vez que as actuais condições dificultam o arrastamento dos botes.
Também António Jorge, morador da cidade, reconheceu os investimentos realizados pela Câmara Municipal da Ribeira Grande e pelo Governo, mas considerou que o desenvolvimento da Ponta do Sol continua a enfrentar vários constrangimentos.
Entre eles evidenciou a situação da orla marítima, sobretudo o depósito de terras junto ao mar, que, na sua opinião, tem provocado impactos negativos numa zona tradicionalmente ligada à pesca.
“É uma tristeza ver os camiões a despejarem terra até invadir o mar”, afirmou António Jorge, que disse ser praticante de pesca nas horas vagas.
Segundo o morador, a situação dificulta inclusive a recolha de isco e afecta pescadores que dependem da actividade para garantir parte do sustento das famílias.
António Jorge apontou ainda problemas nas infra-estruturas desportivas da cidade.
Professor de profissão, explicou que a falta de condições no espaço utilizado para Educação Física obriga à deslocação dos alunos até ao polivalente, num percurso feito pela via pública e sujeito à circulação automóvel.
“Tenho de me deslocar com os alunos no meio da rua, com carros a circular, para conseguir dar a aula de Educação Física, uma situação tem gerado preocupação entre pais e encarregados de educação”, afirmou.
Confrontado com as preocupações dos moradores, o presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande, Armindo da Luz, atribuiu parte dos atrasos nas obras à escassez de mão-de-obra, problema que, disse, afecta actualmente vários sectores no concelho e no país.
Sobre o recinto desportivo da Ponta do Sol, o autarca explicou que a obra está adjudicada e representa um investimento de cerca de 45 mil contos, incluindo a construção de um anfiteatro.
Segundo Armindo da Luz, a empresa responsável pela empreitada teve de aguardar pela conclusão de outros trabalhos e enfrenta também dificuldades para encontrar trabalhadores disponíveis.
O edil apontou como exemplo a recente intervenção no Estádio João Serra, para a qual, disse, foi necessário recorrer a trabalhadores provenientes do Paul devido à falta de mão-de-obra disponível na Ribeira Grande.
Armindo da Luz rejeitou, por isso, a ideia de inexistência de oportunidades de trabalho no concelho, e afirmou que sectores como construção civil e turismo enfrentam dificuldades para contratar trabalhadores.
Quanto à frente marítima da Ponta do Sol, anunciou a preparação de um projecto de requalificação urbana da encosta da cidade, desde Boca de Pistola até Pesquerdo, que deverá incluir uma piscina e outras intervenções de valorização do espaço.
O projecto, que segundo o autarca está em preparação há algum tempo, deverá ser apresentado à tutela do Turismo com vista à mobilização de recursos para a sua concretização.
LFS/CP
Inforpress/Fim
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