
Espargos, 24 Set (Inforpress) – O escritor Evel Rocha apresentou hoje, no Sal, a reedição do romance “Marginais”, obra que retrata vulnerabilidades sociais nas periferias e dá voz a problemas muitas vezes ocultos na sociedade cabo-verdiana.
Em declarações à imprensa, o autor explicou que o romance procura dar voz a uma realidade quotidiana que, muitas vezes, não tem espaço na comunicação social, abordando temas como a vivência dos jovens nas periferias, a misoginia, a violência doméstica e a exclusão social.
“Nós temos a ideia de que o Sal é uma ilha de prosperidade e com qualidade de vida acima da média nacional, o que é verdade. Mas também temos a consciência de que há uma parte, principalmente nas cinturas urbanas, na periferia, onde vamos encontrar pessoas com problemas sociais gravíssimos que necessitam de um cuidado especial”, afirmou Evel Rocha.
O escritor sublinhou que, além da dimensão literária, assume a responsabilidade social de intervir e chamar a atenção dos decisores políticos para as fragilidades existentes na ilha.
Segundo Evel Rocha, a segunda edição surge na sequência da procura por parte do público e das academias, depois de esgotada a primeira tiragem.
“Este livro é a segunda edição que, felizmente, tem tido um impacto bastante grande, seja no seio dos jovens e dos leitores mais maduros, mas sobretudo nas academias e universidades. Tendo em conta que a obra faz parte do Programa de Leitura Nacional e a convite da Biblioteca Nacional, surgiu esta oportunidade de fazermos uma nova edição”, adiantou.
Por sua vez, a apresentadora da obra, Raquel Sousa, considerou que o livro ultrapassa os limites da comunidade saliense, ao reflectir dinâmicas e problemas transversais à sociedade cabo-verdiana.
“O livro é muito mais do que só problemas da comunidade saliense, são problemas da comunidade cabo-verdiana e, no modo geral. São questões que não são expostas ou não têm a devida importância social, mas que influenciam vidas e mudam futuros. Acredito que quem ler o livro vai ver os problemas e a sociedade de outra forma, sabendo como lidar e ajudar quem passa por situações semelhantes”, destacou.
Raquel Sousa explicou ainda que, apesar de as personagens serem fictícias, os enredos são inspirados em vivências, histórias contadas e observações directas da comunidade local, defendendo o contacto com este tipo de literatura desde a infância.
“Uma criança, quando aprende a ter consciência desses perigos, consegue ver com outros olhos, não com olhos de maldade, mas com a perspectiva de ajudar e encontrar soluções”, concluiu a apresentadora.
NA/JMV
Inforpress/Fim
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