
Cidade da Praia, 23 Set (Inforpress) – A Administração da Inforpress considerou hoje “inaceitáveis, ofensivas e ameaçadoras” as palavras proferidas pelo candidato presidencial Gilson Alves contra uma jornalista da agência, após um pedido de entrevista na sequência da divulgação da lista de candidaturas às eleições presidenciais.
Em comunicado, a Administração da Inforpress manifestou “total repúdio” pelo comportamento do candidato, considerando que as declarações dirigidas à jornalista constituem um ataque à liberdade de imprensa e à integridade dos profissionais da comunicação social.
“Consideramos inaceitáveis as palavras proferidas pelo candidato, que se revelaram ofensivas, ameaçadoras e desproporcionadas”, lê-se no documento, no qual a empresa afirma não tolerar manifestações que incitem a “ameaças de morte, tortura, terrorismo, conflito ou guerra”.
A empresa manifestou ainda “total solidariedade” para com a jornalista e declarou estar alinhada com a posição da Direção de Informação relativamente ao episódio.
“A análise da comunicação demonstra o profissionalismo da jornalista ao solicitar um comentário do candidato, que, por sua vez, optou por uma abordagem agressiva, exigindo, inclusive, a publicação de suas declarações”, refere a nota.
A Inforpress anunciou igualmente que irá apresentar uma queixa formal contra Gilson Alves junto da Autoridade Reguladora para a Comunicação Social (ARC), da Comissão Nacional de Eleições (CNE) e das instâncias judiciais competentes, com o objectivo de prevenir a repetição de situações semelhantes.
“Reitero que a agência sempre cobriu informações relativas a candidaturas e manifestações políticas, sociais ou culturais de interesse público, pautadas pela ética e responsabilidade na divulgação de conteúdos”, lê-se no comunicado.
Contactado pela Inforpress para apresentar a sua reação, por escrito ou em gravação, em crioulo ou português, o candidato Gilson Alves limitou-se a responder: “A chi la gloria? A chi la gloria? A noi! ‘Oderint dum metuan’”, expressão que, segundo a tradução apresentada, significa “A quem a glória? A quem a glória? A nós! Que nos odeiem, desde que nos temam”.
Entre as expressões dirigidas por escrito à profissional constam: “Você não está nesta m…. para me ordenar à p… de nada. Ainda não secou a tinta da decisão do TC, e vocês já estão a f…. o juízo? P…q…p…. Acalme-se nesta m…. Você não ordena o Gilson Alves a nada.”
A Inforpress informou, na sua nota de esclarecimento, que decidiu não reproduzir integralmente os termos utilizados pelo candidato, para não conferir à cobertura o mesmo nível de vulgaridade.
A agência acrescentou que, perante o episódio, a jornalista invocou objeção de consciência e recusou realizar futuras coberturas relacionadas com o candidato, posição que a empresa declarou compreender e respeitar.
OS/JMV
Inforpress/Fim
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